"Então, falando ele estas coisas em sua defesa, Festo disse em alta voz:
Estás louco, Paulo! As muitas letras te levam à insanidade!"
(Atos dos Apóstolos 26.24)

Quinta-feira, Janeiro 14, 2010

MEL

"Deus salvou a Melzinha da melhor forma que Ele tem: levou-a para junto de si!" Foi assim que minha mãe deu-me a notícia da morte de nossa gatinha branca, peludinha, de olhinhos azuis. Às vezes, quando passávamos perto, ela pulava em nossas pernas ou vinha atrás dando "pancadinhas" nos nossos pés. Ultimamente, a Nininha, a mais nova do pedaço, vivia "infernizando-a", correndo atrás o tempo todo. E a "Branquinha", mais que depressa, tratava de catar um lugar para se esconder! Brincadeiras divertidas de felinos domésticos adoráveis. E quando ela bebia água e ficava com gotinhas de água sobre o narizinho? Como minha Carla costuma dizer: "Coisa mais querida"!

Mel morreu devido a um problema renal. Ainda lembro quando a vi pela primeira vez. Eu morava com meus familiares na rua Dona Maria, em Vila Isabel. Ela chegara do veterinário e estava no quarto de minhas irmãs, deitada, bem "grogue". Como todas as outras, Mel era gata de rua. Alegro-me por ela ter vindo para o nosso lar. Desde então viveu feliz. E felizmente morreu cercada de carinho e amor.

Vá, Melzinha, viver agora junto de Quem, na Terra e no Céu, é Pai e Mãe de todos nós. Lamentamos que você não esteja mais conosco, porém nossos corações não a esquecerão.

Quarta-feira, Janeiro 13, 2010

ANJO DA MINHA VIDA

Carla, minha esposa, fez esse poema para mim. Minha resposta encontra-se na postagem anterior.

Anjo, amigo, amante...
Nada mais sou sem você...

Seu amor enche meu caminho de flores, meu coração de sorrisos,
Minha vida de lindas cores e ternos sabores.

Seu amor, tão gratuito, é caríssimo à minha alma.
Tão profundo e genuíno,
Preenche com a mais pura alegria meu coração pequenino.

Você excede o valor de tudo o que tem valor no Universo.
Faz fluir água em meus desertos, faz da minha vida poesia e verso.

Viver com você... Quanta paz e felicidade.
O opaco se faz brilho e vivacidade.

Tudo o que eu sempre sonhei, um amor singelo e imaculado,
Somente em você encontrei.

Cada momento ao seu lado é aprazível e belo.
Amar você é e será sempre meu maior anelo.

AGUARDO MINHA POETISA CHEGAR

Sua poesia é sentimento e dedicação
Da alma pura que é toda coração!

Suas palavras adoçam-me a vidência
E os ouvidos, enfim, podem enxergar sua voz
Mesmo que, em certos instantes entre nós,
As circunstâncias imponham alguma (e breve) ausência.

São as coisas que precisamos fazer,
E então você vai e eu permaneço.
Da solidão, porém, logo esqueço
Porque quando você chega tudo é prazer!

“[...] meu coração é pequenino” você dizia com carinho.
“Eu não existiria se não estivesses em mim”, orava Santo Agostinho.
Se Deus, que tudo contém, criou você para habitá-la, Coraçãozinho,
Fez-me ele a fim de encontrar também nesse Paraíso o meu cantinho.

Espero voltarem seus olhos água-marinha,
Abertos de sofreguidão e surpresa.
Quero roubar o mais belo sorriso da natureza,
Do qual seus lábios são fonte exclusiva, Esposa minha!

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

O QUE MINHA ESPOSA É PARA MIM

Jardim de flores de paixão,
Mosaico de pedrinhas de amor,
Alegria de sorrisos de humor,
Coral de vozes de canção.

Em uma vida ou em um segundo,
Você é tudo isso, um universo e um mundo
Coberto pelas águas do carinho,
Pontilhado de estrelas que orientam meu caminho:

Ser o homem da sua vida,
Assim como da minha você é a mulher, querida!

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

ABECEDÁRIO (Y?)

A benéfica capacidade de escrever favorece geralmente humanos inquietos, justapondo know-how, labor, maturidade nalgumas obras peculiares que ressaltam suas teimosias, urgências, vacilos, weltanschauungs, xingações, zoeiras.

MINHA CARLA, TERNURA, BEIJO, ALEGRIA, AMOR, DOÇURA

Ternura,
Minha gratidão é imensa
Porque me deram você
os sonhos, as estrelas, o Céu.
Seu beijo é chocolate e mel,
De seus braços aconchego encontro à mercê,
Sua alegria é intensa,
Inunda-me de amor e doçura.

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

EM 2010, OUVIR, (RE e ANTE)VER, CHAMAR

Apresentei esta "prédica" na Paróquia Evangélica Espírito Santo, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), em Novo Hamburgo (RS), no dia 27 de dezembro de 2009, convidado por minha querida e amada Esposa, a Pastora Carla Saueressig da Silva.


INTRODUÇÃO

Vai chegando ao fim o ano 2009. Nos últimos doze meses estivemos ocupados com muitas coisas em várias situações: preocupamo-nos com o bem-estar de nossos familiares, dedicamo-nos às nossas atividades profissionais (ou estivemos à procura de um emprego), estivemos atentos à nossa saúde, cuidamos de nossas casas, compramos, vendemos, negociamos, viajamos, sorrimos, choramos. Em nossa paróquia, fomos pastoreados pela Pastora Carla – a Pastora mais linda da IECLB –, participamos dos cultos, das reuniões de jovens, do Grupo Reviver, dos jantares dos homens e das mulheres. Talvez, muitas dessas coisas faremos novamente em 2010, porém, como diz a música, “o meu destino será como Deus quiser”.

É claro que, segundo cremos, Deus realmente faz o que quer e é nos acontecimentos da vida que somos chamados a refletir sobre o que ele está fazendo e como podemos experimentar e participar disso. Santo Agostinho dizia que Deus muda as coisas sem mudar o seu plano.[1] Em outras palavras, ainda que nunca compreendamos como, é apenas diante de Deus que o tempo e a vida, absolutamente complexos e imprevisíveis, não podem esconder as cartas do seu jogo.

2010 é um mistério ao qual estamos prestes a passar. Não somos capazes (e ninguém é) de prever o que irá acontecer e que tipo de circunstâncias iremos enfrentar. Todavia, como cristãos, podemos adotar algumas atitudes através das quais seguir pelas estradas que a vida, e nós inseridos nela, for construindo diante de nós. Com a leitura de DEUTERONÔMIO 4.1-9, convido vocês a, em 2010, OUVIR, (RE)VER E CHAMAR.


Em 2010, o que eu devo ouvir?

1o) OUVIR A LEI E AS PROMESSAS DE DEUS (v. 1-2)

O livro de Deuteronômio, o quinto do Antigo Testamento da Bíblia cristã, é um conjunto de discursos de Moisés, através dos quais este repassa a trajetória dos israelitas desde o monte Horebe (em Êxodo, chamado “Sinai”) até às fronteiras da terra de Canaã. A geração que saíra do Egito, com a exceção de Josué e Calebe, morrera durante a peregrinação, visto que, tendo chegado já antes à beira da terra prometida, descreu da palavra de Deus que Moisés trouxera (Números 14.26-30). Uma nova geração surgiu (Números 14.31) e está prestes a entrar na posse que Deus havia prometido.

Moisés recomenda-lhes, pois, a OUVIR. Ouvir o quê? Os estatutos e os juízos de Deus que o profeta ensinava e a promessa de Deus que o profeta assegurava. É claro que o OUVIR não se refere apenas à decodificação pelo nosso cérebro das ondas sonoras que nos chegam aos ouvidos. OUVIR, como diz o texto, é APRENDER (“ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino”), CUMPRIR (“para os cumprirdes”) e CRER (“possuiais a terra que o SENHOR, o Deus de vossos pais, vos dá”). Segundo Moisés, quando ouvimos a Lei e a Promessa de Deus encontramos a VIDA (“ouve... para que vivais”). Antes de mais nada, devemos OUVIR para que VIVAMOS, isto é, não nos tornemos reféns das circunstâncias, para bem ou para mal, mas sim agarremos a esperança de que podemos, por Deus, VIVER apesar de tudo.


Em 2010, o que eu devo (re)ver?

2o) (RE)VER OS ERROS E OS ACERTOS E (ANTE)VER O QUE SERÁ CASO TENHAMOS DEUS CONOSCO (v. 3-6)

Por que (re)ver os erros? A fim de que lembremos a dor que nos trouxeram e não cometê-los novamente. Israel envolveu-se com o povo de Moabe e seu deus Baal-Peor e pagou um preço caro (Números 25.1-9).

Por que (re)ver os acertos? Para sentirmos a alegria, nossa e dos outros, pelo que nosso bom proceder trouxe e identificarmos mais este marco da estrada por onde Deus quer que vamos. Alguns de Israel não seguiram Baal-Peor, como Finéias, neto de Arão (Números 25.6-13), e puderam permanecer até aquele momento de entrar em Canaã.

Como assim antever o que será se tivermos Deus conosco? A questão não é o que vamos ganhar ou perder, mas como lidaremos com o que vier. Se procurarmos por Deus, priorizaremos a responsabilidade e a ética em nossos caminhos e extrairemos sabedoria da vida. Era o que Deus aconselhava e prometia a Israel: sabedoria e justiça.


Em 2010, por quem eu devo chamar?

3o) CHAMAR POR DEUS SEMPRE, POIS É CERTO QUE ELE SE ACHEGARÁ A NÓS (v. 7)

Embora tivesse passado por fracassos e sofrimentos, Israel podia dizer: “O SENHOR achega-se a nós todas as vezes que o invocamos!” É um engano achar que Deus não nos receberá porque pecamos. Lutero agradecia a Cristo por este tomar o pecado dele, dando-lhe em troca a sua graça.[2] Lutero sabia que, quando vamos a Cristo em pecado, este nos recebe para conduzir-nos à confissão, ao perdão e à transformação pelo poder do Espírito Santo.

É também um engano achar que não importa que pequemos, já que Deus nos receberá. Quem pensa assim, não achará Deus, pois de fato não o está procurando.

Outro equívoco é pensar que Deus não nos ouve porque nosso sofrimento não passou. Infelizmente, mesmo que esta seja uma questão que inquietará a mente humana enquanto esta existir, o sofrimento faz parte da vida e, em meio a ele, devemos fazer como Jesus: gritar para Deus do fundo do nosso ser (Marcos 15.34; cf. Hebreus 5.7-10). Ainda que se sentisse abandonado, o Nazareno gritou na cruz porque sabia que Deus iria ouvir seu grito. O sofrimento, assim como a satisfação, vai e vem, mas a proximidade de Deus nunca desaparecerá. Em 2010, e por toda a sua vida, sempre chame por Ele.


CONCLUSÃO

Em 2010, OUÇA a Lei e as Promessas de Deus; (RE)VEJA os erros e os acertos e (ANTE)VEJA o que será se tiver Deus com você; e CHAME sempre por Deus, pois Ele está pronto para achegar-se a você. Amém


Notas:
[1] SANTO AGOSTINHO. Confissões, Livro I, 4. In: http://www.veritatis.com.br/article/2887. Acesso em 28/12/2009.
[2] “Senhor Jesus Cristo, tu és minha justiça, eu, porém, sou teu pecado: Levaste sobre ti o que é meu, e deste a mim o que é teu. Tomaste sobre ti o que não eras, e deste a mim o que eu não era.” In: http://www.luteranos.com.br/categories/Quem-Somos/Nossa-Hist%F3ria/Martim-Lutero/Ora%E7%F5es-de-Lutero/. Acesso em 28/12/2009.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

A BÍBLIA SAGRADA: ANTIGO E NOVO TESTAMENTO. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2. ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

VÉSPERAS DO CASÓRIO

É gostoso reunir-se aos amigos
E observar os passarinhos briguentos
Disputando aguinha açucarada,
E, em um de raros momentos,
Avezinha lépida numa cordinha de varal empoleirada,
O beija-flor ansiando matar a sede, instinto dos mais antigos.


Já puderam ouvir o au-au de um cãozinho simpático
Ao pé da mesa de um casal fantástico,
cuja bondade e amizade convidaram-nos para o almoço?
Minha Gaúcha e eu nem sentimos o tempo passar
Aconchegados nas vozes e recordações que habitam aquele lar,
Da graça divina presenteados com o endosso.


Nesse tempo, o casório aguarda-nos com expectativa
Recomendando-nos à companhia das flores:
Azaleias, gérberas, amores-perfeitos, margaridas, um florilégio!.
As hortênsias abrem-se neste dezembro de emoção festiva
E, ao lado das irmãs, vivificam com suas cores
A estradinha dos noivos que vão alegres à igrejinha do relógio!

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

FRAGMENTOS DE IDEIAS SOBRE TEMPO, ETERNIDADE E RESSURREIÇÃO

De vez em quando, penso nas noções de tempo e eternidade. Na relação do tempo com a matéria, esta sofre contínua transformação no transcorrer daquele. Essa transformação parece partir da organização para a desorganização, da agregação para a desagregação, da harmonia para o caos. Se considerarmos, inclusive, o pensamento, concluiremos que este também sofre mudança com o passar do tempo. O efeito do tempo sobre a matéria, portanto, é a deterioração, o desgaste, o colapso molecular.

Se algum físico ou biólogo ou teólogo ler esses apontamentos, não repare a minha ignorância. Trata-se de reflexões livres, abertas às correções de quem eventualmente entenda melhor esses assuntos.

Bem, se o tempo traz consigo a decrepitude, e a duração impõe às coisas um prazo de validade, a morte é resultado da passagem do tempo. Diante disso, ponho-me a questão da ressurreição de Jesus e, por extensão, a ressurreição prometida pelo Novo Testamento.

Não há dúvida de que, do ponto de vista natural, a transformação da matéria é uma lei irrevogável. O tempo nada mais é do que mudança, não-permanência. Desse modo, eternidade poderia ser entendida como permanência, não-mudança?

Acredito que a Bíblia judaica (e sua variante, o Antigo Testamento cristão) não conhece, em relação a este universo, a ideia de eternidade. A palavra עוֹלָם ('olam) seria talvez melhor traduzida por "perpetuidade", isto é, a permanência de um costume, de uma lei ou de uma etnia através do tempo pela transmissão ou pela renovação, sempre dentro da realidade humana, que é terrena e finita.

O Novo Testamento, por sua vez, trabalha com a noção de αιων (aion), porém, é claro, utiliza as categorias de tempo e espaço inscritas na linguagem humana. Aqueles que "vivem" ou "reinam para sempre", cantam, suplicam, são elevados da terra ao céu (1Tessalonicenses 4.13-18; Apocalipse 7.9-17; 11.3-14; 22.1-5) - imagens nas quais está incrustada a dimensão da duração.

Todavia, se eternidade for permanência, não-mudança, logo, dentro das categorias deste universo, isso implicaria um congelamento, isto é, ausência de movimento, transformação e, no caso humano, pensamento. Caso eternidade seja o contrário do tempo, não pode haver vida na eternidade. Contudo, caso liguemos o conceito à promessa neotestamentária, restará compreender a eternidade como algo que não faz parte desta realidade e, por conseguinte, não tem nada a ver com movimento, ou tempo, ou espaço, ou sentimento! A metáfora que ouvi certa vez, segundo a qual, quando um passarinho terminasse de levar o último grão de areia da Terra à Lua, seria o começo da eternidade, é completamente inadequada para descrever o conceito. Eternidade e tempo não são noções antitéticas, já que, até onde sabemos, no universo não existe o contrário do tempo, um antitempo. Eternidade não é tempo sem fim. O tempo é a realidade que conhecemos. A eternidade é, em nossa experiência, apenas abstração.

Jesus ressuscitou e tornou-se eterno? Supondo que isso tenha acontecido, não teria sido o caso de um cadáver que voltou à vida nesta realidade. É provável que o túmulo vazio seja uma imagem a indicar que, após a sua morte, Jesus não pertence mais a este mundo. Entretanto, as suas aparições representariam a convicção de que Jesus continua a ser uma presença viva e atuante entre aqueles que crêem nele e, para estes, também no mundo. Na experiência de seus adeptos, Jesus teria se tornado um poder que transcendera a realidade de um defunto numa tumba: "(...) um jovem (...) vestido de branco (...) lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto." (Marcos 16.5, 6)

Não se trata de defender qualquer visão gnóstica. Não estou dizendo que outro morreu em lugar de Jesus. Estou admitindo que o homem Jesus morreu. Também não estou afirmando que um Cristo cósmico desligou-se do ser humano Jesus no momento da morte deste. Assumo o que diz o Novo Testamento: o Crucificado é o Ressuscitado!

Por outro lado, o que aconteceu historicamente com o corpo de Jesus não dá para saber. Deteriorou-se? Caso admitamos a lei incontornável da transformação da matéria, sim. Foi sepultado num túmulo desconhecido? É curioso que a tradição do túmulo vazio foi preservada nos quatro evangelhos canônicos (Mateus 28.1-10; Marcos 16.1-8; Lucas 24.1-12; João 20.1-10). Sim, preservou-se a tradição do túmulo vazio (que não aparece fora dos evangelhos), mas a localização do túmulo, não. Localizar o túmulo de Jesus para verificar se ele realmente não está lá negaria a crença no que Deus fez com ele.

O cadáver de Jesus negaria a fé em sua ressurreição? Se a ressurreição for assumida como evento historicamente literal de revivescência de um cadáver, sim. Se for confessada como esperança acerca da entrada numa forma de existir em relação à qual "as antigas coisas" deste cosmo (o tempo e seus efeitos de mutação sobre a matéria) passaram, não. É como se a imagem da tumba sem o cadáver fosse um sinal da fé: não se procura o Jesus que se crê onde termina a vida humana, já que ele não pode ser detido por aquilo que põe um ponto final à existência dos seres orgânicos. Nem mesmo se deve tentar achá-lo na mente humana, já que a fé não teria sido criada por esta. A fé surge do encontro. A Igreja crê que Jesus, após sua morte, voltou a encontrar-se com seus seguidores. Ele fê-lo (e, na fé, certamente o faz) numa modalidade de existência completamente diferente, que não é deste universo, porém, de algum modo, toca-o.

A ressurreição imortalizou Jesus, por ela Deus fez dele eterno. E, sendo eterno, não é deste mundo, não está no tempo, mas apresenta-se aos seres humanos temporais. Somente seres temporais têm fé. A fé espera por aquilo que será quando tudo mais deixar de ser. Contudo, como será aquilo que a fé espera é um mistério. Tampouco é possível perguntar quando será, já que o tempo, conforme foi dito, não está incluído nesse mistério. A vida, a partir do que sabemos, está ligada ao tempo e à mudança. A eternidade está ligada à fé. A fé espera por Deus, embora o que quer que ele venha a fazer (e como quer que queira fazer) continue desconhecido.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
A BÍBLIA SAGRADA: ANTIGO E NOVO TESTAMENTO. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2. ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.