"Então, falando ele estas coisas em sua defesa, Festo disse em alta voz:
Estás louco, Paulo! As muitas letras te levam à insanidade!"
(Atos dos Apóstolos 26.24)
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domingo, abril 08, 2012

ELISEU: PROFECIA É AÇÃO SOLIDÁRIA

Prédica proferida na Igreja Batista Central de Novo Hamburgo em 11 de março de 2012.


INTRODUÇÃO


Quero pensar sobre 2Rs 6.8-23. Trata-se de uma história do profeta Eliseu. Uma história impressionante de solidariedade em pleno contexto de uma guerra entre a Síria e Israel. Nela, quero destacar três dimensões da ação profética de Eliseu relacionadas à solidariedade.


1a) ELISEU MOSTRA-SE SOLIDÁRIO PARA COM A SUA COMUNIDADE


Percebemos que a ação profética de Eliseu é dirigida inicialmente à proteção do seu povo contra a ameaça dos sírios. Eliseu entende que a sua atividade de profeta está inserida no quadro maior da aliança do SENHOR com Israel e deve servir à promoção dessa aliança. Embora críticos ferozes de Israel em vários momentos, os profetas, como é o caso de Eliseu aqui, também põem-se ao lado do seu povo para solidarizarem-se com eles em momentos de crise.

É curioso que, em todo o ciclo de Eliseu (2Rs 2 - 13), haja várias histórias de milagres desse profeta em que grupos mais amplos de pessoas são beneficiados. Eliseu mostra que o SENHOR em nome de quem ele profetiza está presente quando há ações concretas de solidariedade do homem e da mulher de fé, ao mesmo tempo, em favor da comunidade de fé e também da comunidade secular. Digo isso porque a crise que Israel enfrentava era também uma crise política. Do mesmo modo, não somos somente pessoas vinculadas a um grupo religioso, mas igualmente cidadãos. Não basta dizer o que é que Deus quer para a igreja, o bairro, o município, a cidade, o país ou o mundo, seja consolo, justiça, recursos ou caridade. É preciso pessoalmente empenhar-se para que essas coisas aconteçam. O SENHOR dissera a Eliseu quais eram as pretensões dos sírios em relação a Israel. Mas Israel só foi salvo porque o profeta comunicou o que sabia ao rei.

Gostaria de sugerir que você pensasse modos pelos quais pode mostrar-se solidário em favor desta comunidade cristã da qual faz parte e em favor de outros grupos sociais nos quais você está inserido(a): Há atividades aqui na igreja em que você poderia ajudar? Há alguma coisa que você possa fazer para melhorar as condições de vida no seu bairro? Há pessoas e animais aos quais você poderia prestar assistência?


2o) ELISEU MOSTRA-SE SOLIDÁRIO PARA COM O SEU COMPANHEIRO MAIS PRÓXIMO


Na angústia do seu moço por causa do cerco dos sírios a Dotã, Eliseu amparou-o. O texto deixa claro que o profeta era o principal implicado naquela ameaça. Entretanto, Eliseu deixou a si mesmo de lado por um momento e foi cuidar do seu companheiro aflito.

O milagre fora incrível, sem dúvida! Imagine olhar as montanhas e vê-las tomadas por cavalos e carros de fogo! E mais, um exército tão surreal que está a nosso favor! O moço de Eliseu certamente foi confortado diante da ameaça do cerco das tropas dos sírios. Só que ele só pode ver o que viu porque Eliseu, o profeta, encorajou-o e, em seguida, pediu ao SENHOR por ele. A solidariedade de Eliseu "abriu os olhos" do seu moço para ver mais amplamente e, assim, devolveu-lhe a esperança. Eliseu ajudou seu moço a lidar com aquela situação de tensão e tranquilizou-o.

Há muitos, é verdade, que precisam de nossa solidariedade. E quanto àqueles que estão mais próximos de nós? São mães, pais, esposas, esposos, filhas, filhos, parentes, amigos, pessoas de nossa intimidade, animais de estimação que podem estar sofrendo sem que a gente dê pela coisa. Podemos achar que é suficiente dizer que precisam fazer isso ou aquilo para melhorar. Mas a solidariedade parece exigir que apoiemos esses nossos próximos fazendo tudo o que pudermos e, ainda, permaneçamos ao lado deles(as) mesmo que, no momento, não saibam, ou não consigam, ou não queiram fazer o necessário para melhorarem. Eliseu disse ao seu moço: Não temas, ou seja, tranquilize-se! Também disse: Você não está sozinho, eu estou do seu lado e há muito outros por nós! Depois, o próprio Eliseu faz algo em favor do rapaz: uma oração ao SENHOR. Em sua ação solidária, Eliseu move-se do seu moço para si. O companheiro do profeta não resolveria sua crise sozinho. Eliseu assegurou-lhe que havia três envolvidos na solução do problema: o moço, o SENHOR e o próprio profeta.

"Abrir os olhos" de nosso mais próximo aflito não é algo com que lidar como se fosse coisa qualquer, que não nos diz respeito. Envolve ser os olhos do outro enquanto este os tem (ou mantém) fechados.


3o) ELISEU MOSTRA-SE SOLIDÁRIO PARA COM AQUELES QUE LHE QUERIAM MAL


Os sírios haviam cercado Dotã para prender Eliseu. Diante daquele exército hostil, o profeta age em três etapas:

a) Fechando os olhos sírios: A primeira oração de Eliseu ao SENHOR em relação aos sírios, bastante específica, desencadeia uma cegueira nos seus adversários. É como se a atitude de Eliseu fizesse com que os sírios se deparassem com o que estava envolvido em sua ação agressiva. A hostilidade prejudica não apenas quem é hostilizado, mas também quem hostiliza. Isso desnorteia a pessoa, pois ela já não é capaz de enxergar mais nada além do mal que quer causar, acabando, no final, por ser atingida por suas próprias ações.

b) Conduzindo os sírios enquanto cegos: Eliseu leva os sírios cegos para dentro da Samaria, capital de Israel, seus adversários. O profeta procura, ironicamente, conduzi-los a "olhar mais de perto" a condição em que sua hostilidade os coloca. Isto é, através de Eliseu, os sírios percebem aonde sua agressividade vai levá-los: a mais agressividade por parte daqueles a quem têm por inimigos. Notem que o rei de Israel, logo que vê os sírios em seu poder, já quer matá-los!

c) Abrindo os olhos dos sírios (e de Israel) para que entendessem que, ao mal, responde-se com o bem: Os sírios se deram conta da enrascada em que se meteram. Foram atrás de Eliseu e caíram nas mãos de Israel. O ansioso rei de Israel, por sua vez, não podia esperar por chance melhor de acabar com a raça dos inimigos. Entre os dois lados, estava Eliseu. O profeta, porém, faz algo que surpreende os sírios e Israel. O rei de Israel, diz Eliseu, se quisesse, que matasse aqueles a quem ele próprio capturasse. Os cativos trazidos pelo profeta, entretanto, seriam alimentados e libertados. Os sírios e Israel vinham uns de encontro ao outro com ódio. Eliseu veio ao encontro de ambos com solidariedade. O último versículo do texto diz que "da parte da Síria não houve mais investidas na terra de Israel".

Solidariedade não se pratica por merecimento, mas humanidade. Não para ganhar alguma coisa, mas dar o que o outro precisa. E, mesmo que haja ódio do outro lado, os efeitos do gesto solidário podem ser incríveis.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Alguns estudiosos do Novo Testamento já disseram que Jesus, conforme descrito nos Evangelhos Sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas), aproxima-se muito do estilo de Elias e Eliseu. Os três notabilizam-se pelos milagres que fazem, sim, mas também por aquilo que está envolvido em tais milagres: a solidariedade para com as pessoas. Pode-se dizer que, em certo sentido, Jesus foi discípulo de Eliseu. Como Eliseu, Jesus preocupava-se com seu povo e assistiu muitas pessoas. Como Eliseu, Jesus cuidava dos seus próximos: ele alimentou seus discípulos, ensinou-os e defendeu-os, procurando, inclusive, por aqueles que o haviam abandonado quando fora preso. Como Eliseu, Jesus não negou ajuda a pessoas consideradas indignas ou inimigas, além de não ameaçar ou reagir com violência contra aqueles que o torturavam. Jesus andou nos passos de Eliseu. Vamos junto com ele?

sexta-feira, novembro 27, 2009

FRAGMENTOS DE IDEIAS SOBRE TEMPO, ETERNIDADE E RESSURREIÇÃO

De vez em quando, penso nas noções de tempo e eternidade. Na relação do tempo com a matéria, esta sofre contínua transformação no transcorrer daquele. Essa transformação parece partir da organização para a desorganização, da agregação para a desagregação, da harmonia para o caos. Se considerarmos, inclusive, o pensamento, concluiremos que este também sofre mudança com o passar do tempo. O efeito do tempo sobre a matéria, portanto, é a deterioração, o desgaste, o colapso molecular.

Se algum físico ou biólogo ou teólogo ler esses apontamentos, não repare a minha ignorância. Trata-se de reflexões livres, abertas às correções de quem eventualmente entenda melhor esses assuntos.

Bem, se o tempo traz consigo a decrepitude, e a duração impõe às coisas um prazo de validade, a morte é resultado da passagem do tempo. Diante disso, ponho-me a questão da ressurreição de Jesus e, por extensão, a ressurreição prometida pelo Novo Testamento.

Não há dúvida de que, do ponto de vista natural, a transformação da matéria é uma lei irrevogável. O tempo nada mais é do que mudança, não-permanência. Desse modo, eternidade poderia ser entendida como permanência, não-mudança?

Acredito que a Bíblia judaica (e sua variante, o Antigo Testamento cristão) não conhece, em relação a este universo, a ideia de eternidade. A palavra עוֹלָם ('olam) seria talvez melhor traduzida por "perpetuidade", isto é, a permanência de um costume, de uma lei ou de uma etnia através do tempo pela transmissão ou pela renovação, sempre dentro da realidade humana, que é terrena e finita.

O Novo Testamento, por sua vez, trabalha com a noção de αιων (aion), porém, é claro, utiliza as categorias de tempo e espaço inscritas na linguagem humana. Aqueles que "vivem" ou "reinam para sempre", cantam, suplicam, são elevados da terra ao céu (1Tessalonicenses 4.13-18; Apocalipse 7.9-17; 11.3-14; 22.1-5) - imagens nas quais está incrustada a dimensão da duração.

Todavia, se eternidade for permanência, não-mudança, logo, dentro das categorias deste universo, isso implicaria um congelamento, isto é, ausência de movimento, transformação e, no caso humano, pensamento. Caso eternidade seja o contrário do tempo, não pode haver vida na eternidade. Contudo, caso liguemos o conceito à promessa neotestamentária, restará compreender a eternidade como algo que não faz parte desta realidade e, por conseguinte, não tem nada a ver com movimento, ou tempo, ou espaço, ou sentimento! A metáfora que ouvi certa vez, segundo a qual, quando um passarinho terminasse de levar o último grão de areia da Terra à Lua, seria o começo da eternidade, é completamente inadequada para descrever o conceito. Eternidade e tempo não são noções antitéticas, já que, até onde sabemos, no universo não existe o contrário do tempo, um antitempo. Eternidade não é tempo sem fim. O tempo é a realidade que conhecemos. A eternidade é, em nossa experiência, apenas abstração.

Jesus ressuscitou e tornou-se eterno? Supondo que isso tenha acontecido, não teria sido o caso de um cadáver que voltou à vida nesta realidade. É provável que o túmulo vazio seja uma imagem a indicar que, após a sua morte, Jesus não pertence mais a este mundo. Entretanto, as suas aparições representariam a convicção de que Jesus continua a ser uma presença viva e atuante entre aqueles que crêem nele e, para estes, também no mundo. Na experiência de seus adeptos, Jesus teria se tornado um poder que transcendera a realidade de um defunto numa tumba: "(...) um jovem (...) vestido de branco (...) lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto." (Marcos 16.5, 6)

Não se trata de defender qualquer visão gnóstica. Não estou dizendo que outro morreu em lugar de Jesus. Estou admitindo que o homem Jesus morreu. Também não estou afirmando que um Cristo cósmico desligou-se do ser humano Jesus no momento da morte deste. Assumo o que diz o Novo Testamento: o Crucificado é o Ressuscitado!

Por outro lado, o que aconteceu historicamente com o corpo de Jesus não dá para saber. Deteriorou-se? Caso admitamos a lei incontornável da transformação da matéria, sim. Foi sepultado num túmulo desconhecido? É curioso que a tradição do túmulo vazio foi preservada nos quatro evangelhos canônicos (Mateus 28.1-10; Marcos 16.1-8; Lucas 24.1-12; João 20.1-10). Sim, preservou-se a tradição do túmulo vazio (que não aparece fora dos evangelhos), mas a localização do túmulo, não. Localizar o túmulo de Jesus para verificar se ele realmente não está lá negaria a crença no que Deus fez com ele.

O cadáver de Jesus negaria a fé em sua ressurreição? Se a ressurreição for assumida como evento historicamente literal de revivescência de um cadáver, sim. Se for confessada como esperança acerca da entrada numa forma de existir em relação à qual "as antigas coisas" deste cosmo (o tempo e seus efeitos de mutação sobre a matéria) passaram, não. É como se a imagem da tumba sem o cadáver fosse um sinal da fé: não se procura o Jesus que se crê onde termina a vida humana, já que ele não pode ser detido por aquilo que põe um ponto final à existência dos seres orgânicos. Nem mesmo se deve tentar achá-lo na mente humana, já que a fé não teria sido criada por esta. A fé surge do encontro. A Igreja crê que Jesus, após sua morte, voltou a encontrar-se com seus seguidores. Ele fê-lo (e, na fé, certamente o faz) numa modalidade de existência completamente diferente, que não é deste universo, porém, de algum modo, toca-o.

A ressurreição imortalizou Jesus, por ela Deus fez dele eterno. E, sendo eterno, não é deste mundo, não está no tempo, mas apresenta-se aos seres humanos temporais. Somente seres temporais têm fé. A fé espera por aquilo que será quando tudo mais deixar de ser. Contudo, como será aquilo que a fé espera é um mistério. Tampouco é possível perguntar quando será, já que o tempo, conforme foi dito, não está incluído nesse mistério. A vida, a partir do que sabemos, está ligada ao tempo e à mudança. A eternidade está ligada à fé. A fé espera por Deus, embora o que quer que ele venha a fazer (e como quer que queira fazer) continue desconhecido.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
A BÍBLIA SAGRADA: ANTIGO E NOVO TESTAMENTO. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2. ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

quinta-feira, agosto 20, 2009

JESUS, O NOVO TEMPLO

Apresentei esta "prédica" na Paróquia Evangélica Espírito Santo, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), em Novo Hamburgo (RS), no dia 16 de agosto de 2009, convidado pela Pastora Carla Saueressig, com quem vou me casar.


Texto: Lucas 23.44-49.

INTRODUÇÃO

A celebração da Ceia do Senhor é uma ocasião importantíssima para a igreja cristã. Martim Lutero considera a Santa Ceia um testamento de Cristo: “Cristo partilha seu corpo e sangue mediante o pão e o vinho, enquanto o ser humano recebe essas dádivas” .[1] Hoje, pela manhã, ouvia na Rádio União, um coral que cantava o seguinte: “Por um pedaço de pão e um pouquinho de vinho, Deus se tornou refeição e se fez o caminho”.[2] Cabe, portanto, neste momento, pensar a respeito da morte de Jesus. Particularmente, gostaria que fizéssemos a leitura da narrativa em Lucas 23.44-49.


1. O CENÁRIO DA MORTE E O VÉU RASGADO

É uma narrativa curiosa. Ela também aparece em Mateus (27.45-56) e Marcos (15.33-41). As sequências narrativas são as seguintes:




Além das diferenças de tamanho, detalhes e estrutura que apresenta de evangelho para evangelho, a narrativa é curiosa porque coloca no cenário da morte de Jesus uma informação que aparentemente não tem nada a ver: o véu do Templo é rasgado. De repente, o leitor é transportado do Calvário para o Templo de Jerusalém e, rapidamente, trazido de novo ao Calvário. Por quê?

2. O TEMPLO DE JERUSALÉM E O VÉU DO SANTO DOS SANTOS

O Templo era uma instituição muito importante para o judaísmo daquela época. Segundo os livros de Samuel e Reis, havia sido prometido por Deus a Davi: Salomão, o filho de Davi, construiria o Templo e ali Deus habitaria no meio de Israel (2Samuel 7.12-13; 1Reis 6.12-13). O 1º Templo foi construído, então, por Salomão. Após o exílio babilônico, foi reconstruído no tempo de Zorobabel, durante o período persa (cf. Esdras 4.24 - 6.22; Ageu 1.1 - 2.9). Este Templo passou por restaurações durante o período de Herodes, o Grande[3], o mesmo que perseguiu Jesus menino (Mateus 2).

No interior do edifício do Templo, um véu separava o Santo dos Santos do Santo Lugar, o salão maior. O véu é antes mencionado em Êxodo 26.31-33: “Pendurarás o véu debaixo dos colchetes e trarás para lá a arca do Testemunho para dentro do véu; o véu vos fará separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos” (v. 33).[4] Em seguida, também se fala dele durante a construção do 1o Templo: “E cobriu Salomão a casa por dentro de ouro puro, e, com cadeias de ouro, pôs um véu diante do oráculo, e o cobriu com ouro” (1Rs 6.21; cf. 6.16)[5]. O véu, portanto, separava o Santo Lugar do Santo dos Santos, tanto no Tabernáculo de Moisés quanto no Templo de Salomão.

O que se fazia no Santo dos Santos? De acordo com Levítico 16 (cf. 23.26-32), o sacerdote entraria uma vez por ano (v. 34) “para dentro do véu” (v. 11-12), com vestimentas sagradas especiais e banhado em água (v. 4), a fim de oferecer o sangue por meio do qual faria a expiação dos pecados por si e sua família (v. 11) e pelo povo (v. 15). O sangue era oferecido sobre o propiciatório, a peça que ficava por cima da arca da Aliança (v. 14-15). O chamado “Dia da Expiação” ocorria no dia 10 do mês de Tishrei, o sétimo do calendário judaico (Levítico 23.27). Neste ano de 2009, o Dia da Expiação (Yom Kippur) será comemorado em 28 de setembro.[6]

3. O VÉU DO TEMPLO E A MORTE DE JESUS

Podemos pensar que, quando os três primeiros Evangelhos mencionam rapidamente o véu do Templo na narrativa da morte de Jesus, pretendem fazer uma relação. O que o véu rasgado tem a ver com a morte de Jesus?

Se o véu que cobria a entrada do lugar onde a expiação era feita foi rasgado, concluímos que foi retirado o impedimento de acesso à presença de Deus. De acordo com o Levítico, Deus aparecia no Santo dos Santos por sobre o propiciatório (16.2). Já que o sacerdote deveria apresentar ali o sangue para fazer a expiação, a morte de Jesus é divulgada nos Evangelhos como a oferta de expiação aceita definitivamente por Deus. É possível dizer que a morte de Jesus representa, ao mesmo tempo, a manifestação de Deus que oferece o perdão e a oferta entregue a Deus pelos pecados. É em Jesus e por Jesus que se dá o perdão dos pecados e a reconciliação com o SENHOR.

Se notarmos a linguagem de Lucas, perceberemos que, após se rasgar o véu no Templo, Jesus entrega a sua vida ao Pai. Parece que o autor quer dizer que não é mais no Templo e do sacerdote que Deus receberá a oferta expiatória e perdoará o seu povo. Isso aconteceu no Calvário, onde, na cruz, Jesus ofereceu a sua vida a Deus. No Evangelho de João, inclusive, o corpo de Jesus é chamado de “templo” (João 2.21).[7] Na Carta aos Hebreus, o autor chama a carne de Jesus (isto é, o seu corpo) de “véu”, através do qual o Filho de Deus consagrou um caminho novo e vivo de perdão (Hebreus 10. 20).

Com este episódio, o evangelista pretende confirmar a fé com a qual o destinatário de seus livros, Teófilo, fora instruído (Lucas 1.4): “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lucas 24.46-47).

É interessante que, diante deste “Templo”, o centurião romano reconheça a manifestação da justiça. É certo que suas palavras indicam especificamente que Jesus não tinha culpa que merecesse aquele castigo. Mas não dá para deixar de pensar que Jesus é o novo Templo, através do qual judeus e não-judeus podem encontrar a justiça de Deus, por meio da conversão e do perdão.

Podemos lembrar aqui de Paulo. Ele transmitiu aos coríntios a fé que havia recebido: “[...] Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras [...]” (1Coríntios 15.3).[8]

CONCLUSÃO

Ao participar da Ceia, por meio do texto lido no Evangelho de Lucas, podemos refletir sobre a morte de Jesus como o culto perfeito: Jesus entrega a sua vida como oferta única de expiação e Deus manifesta-se para reconciliar o ser humano consigo. Por isso, Jesus é o novo Templo, onde se pode encontrar Deus através da conversão e do perdão.

Notas:

[1] JUNGHANS, Helmar. Temas da teologia de Lutero, p. 32.

[2] PADRE ZEZINHO. Por um pedaço de pão. Disponível em http://www.letras.com.br/padre-zezinho/por-um-pedaco-de-pao. Acesso em 16/08/2009.

[3] A Bíblia de Jerusalém, p. 1803, nota “l” (relativa a Ageu 2.9); cf. a nota "t", na página 1989, relativa a João 2.20: "A reconstrução do Templo havia sido iniciada no ano 19 antes de nossa era, o que situa a cena na Páscoa do ano 28."

[4] Almeida Revista e Atualizada.

[5] Almeida Revista e Corrigida.

[6] http://www.candlelightingtimes.org/shabbos/br.htm. Acesso em 15/08/2009.

[7] Almeida Revista e Corrigida. A Almeida Revista e Atualizada traz “santuário”.

[8] Almeida Revista e Atualizada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A Bíblia: Almeida Revista e Atualizada no Brasil. 2.ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

A Bíblia: Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 1985. 2366 p.

JUNGHANS, Helmar. Temas da teologia de Lutero. Trad. Ilson Kayser et. alii. São Leopoldo: Sinodal, 2001. 188 p.

http://www.bible-architecture.info/4.The_8.gif. Acesso em 20/08/2009. Templo de Herodes.

http://www.candlelightingtimes.org/shabbos/br.htm. Acesso em 15/08/2009.

sexta-feira, julho 10, 2009

A Bíblia: o geral ilumina o particular.

No Novo Testamento grego encontramos formas do verbo hermeneuein, cujo significado é precisamente “interpretar”, “explicar”. Veja-se, por exemplo, Lc 24.27, em que o autor diz que Jesus “explicava” aos discípulos que estavam a caminho da aldeia de Emaús aquilo que dizia respeito a ele nas Escrituras. O Jesus lucano confere um novo sentido às palavras do Antigo Testamento e assim o interpreta tomando como chaves de compreensão a sua vida, a sua morte e a sua ressurreição (v. 26).

Hermeneuein dá origem à palavra “hermenêutica” em nossa língua portuguesa. Ela faz parte do vocabulário de algumas áreas do conhecimento, a saber, a Teologia, a Filosofia, a Linguística, a Literatura e o Direito. Designa a arte e a ciência da interpretação de textos. Hermenêutica é arte porque implica o exercício da criatividade do(a) intérprete no manejo do instrumental técnico para alcançar uma compreensão do que se lê. Hermenêutica é ciência porque opera a busca pelos sentidos de um texto mediante a utilização de metodologias científicas de análise. Não há espaço para fazer uma exposição das perspectivas hermenêuticas que têm sido sugeridas atualmente e a partir das quais se pretende ler a Bíblia e “escutar” o que ela tem a dizer para o mundo de hoje. Embora considere fundamental que você, leitor(a), busque conhecer tais propostas, não é o meu objetivo ocupar-me delas neste artigo. O que quero é apenas pensar rapidamente sobre um aspecto importante no que se refere ao entendimento do conteúdo da Bíblia.

Os livros bíblicos foram escritos com finalidades específicas. Isso significa que os diversos textos que os compõem foram elaborados e organizados de modo a favorecer a compreensão das intenções com que os seus autores os produziram e deram forma a eles. Não se pode, portanto, desviar da tarefa de ler e compreender bem TODO UM LIVRO BÍBLICO caso se queira entender suas partes menores. É necessário prestar bastante atenção às expressões que orientam diretamente para o objetivo do livro, bem como às frases ou ideias que se repetem.

No livro do Gênesis, por exemplo, é comum deparar-se repetidas vezes com as expressões “eis as origens de”, “este é o livro da genealogia de”, “esta é a história de”. Por meio delas, podemos supor que esse livro quer esclarecer aspectos ligados ao estabelecimento de determinadas realidades, ao surgimento de certa variedade de nações ou aos registros “biográficos” a respeito de indivíduos específicos. Deve-se sempre lembrar que tais informações querem principalmente fundamentar conceitos sociais e religiosos familiares aos leitores que pela primeira vez receberam o livro. Observe como a narrativa da criação de Gênesis 1.1 – 2.4a confere uma razão teológica para a organização social e religiosa apresentada em Êxodo 20.8-11 (cf. Dt 5.12-15) e 31.12-17. Trabalhar seis dias e descansar no sétimo seria como reviver o próprio acontecimento da criação: “Eis as origens do céu e da terra quando foram criados” (Gn 2.4a).

O propósito do Evangelho de João está exposto de forma bem clara no final do livro: “Jesus, na verdade, operou na presença de seus discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro; estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.30-31). Se tiver um olhar atento, o(a) leitor(a) perceberá ao longo de toda a obra este convite a crer em Cristo como o enviado de Deus que dá a vida eterna àqueles que aderem à sua mensagem.

O livro dos Atos dos apóstolos já de início elucida a proposta teológica e o itinerário narrativo que irão condicionar a estrutura do conteúdo apresentado: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). O livro mostra como o dom do Espírito Santo tornou judeus (cap. 2), samaritanos (cap. 8), romanos (cap. 10), os discípulos de João em Éfeso (cap. 18) unidos sob a fé em Cristo. Apresenta também o crescimento do evangelho começando em Jerusalém (cap. 1 – 7), atingindo outras regiões da Judéia e passando pela Samaria (cap. 8 – 12), estendendo-se até à Ásia menor (cap. 13 – 20) e chegando em Roma (cap. 21 – 28).

Para compreender, portanto, uma passagem bíblica, deve-se examiná-la à luz do contexto do livro ao qual ela pertence.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Da morte

Recebo ultimamente notícias de que uma gatinha que nasceu na casa de minha família está perto de morrer. Ela viveu cerca de 17 anos conosco, mas já vai partindo... Para alguns, isso eventualmente não terá a menor importância. Afinal de contas, diriam, é só uma gata. Isso sem contar que o gato há muito é bastante estigmatizado: dá azar, está relacionado à feitiçaria, não gosta de pessoas e outras idiotices do gênero. Todavia, quando se vive muitos anos com um animal de estimação, pode-se sofrer a sua morte tanto quanto a de um parente. Os gatos também amam. O seu amor e presença fazem falta para aqueles que com eles conviveram.

Agora ela vai embora e eu fico desconcertado. Novamente, a morte se impõe, tão certa quanto a vida. E como a gente não pede para nascer, também não pode evitar morrer. Só que, enquanto a vida é uma possibilidade (eu, como todo mundo, nasci por vontade alheia e, pela mesma vontade, poderia não ter nascido), a morte é um evento indubitável. Para morrer, basta estar vivo, dizia a minha avó Lucy, Érico Veríssimo e Machado de Assis. E os três já foram...

Por que a gente tem que morrer? No âmbito da biologia, a morte é perfeitamente natural e necessária para a sobrevivência das espécies e a manutenção do equilíbrio ambiental. No campo da física, ela é estabelecida pelas leis que regem a transformação da matéria. Na exegese bíblica (e aqui há muita discordância), ela pode ser o salário do pecado, mas também uma condição que acompanha o homem desde o seu surgimento. Nos mitos da criação e da trangressão em Gênesis (2 e 3), morrer não parece tanto a conseqüência de uma ação moral que provocou a decadência de seres outrora imortais e perfeitos, porém a pena capital para a desobediência ao mandamento do SENHOR Deus, uma antecipação de algo que naturalmente viria a acontecer, semelhante à pena de morte aplicada por alguns países a certos condenados pela justiça. Não acredito que um dia humanos, animais e plantas foram imortais. O texto sugeriria, na minha opinião, que morrer faz parte da vida desde que o mundo é mundo. O mais importante, contudo: nossas ações podem apressar a nossa morte e, mais do que numa morte por inconseqüência, Deus estaria interessado em que os seres humanos vivam e promovam a vida. Do contrário, não teria deixado de aplicar a pena capital, poupando o homem e Eva.

Aqui no Sul do Brasil, venho tendo a oportunidade de visitar alguns cemitérios. Eu já fazia isso em minha infância e adolescência lá em Rio Pomba, acompanhado de meu primo Marcos. Recentemente, acompanhei a Carla e o pastor de sua comunidade em um sepultamento num local parecido com o Jardim da Saudade no Rio. Voltei lá com ela outro dia e observávamos as placas para marcar as sepulturas na terra, os nomes e as fotografias que expunham. Estivemos por duas vezes em um outro cemitério que fica no terreno atrás de um templo cristão católico. Após a primeira vez, que foi à noite, comentava com a Carla uma idéia que tive. É possível que o medo causado por esse ambiente em tantas pessoas, seja um temor de almas do outro mundo, seja um mal-estar sem muita explicação, tenha a sua origem na consciência de que a morte é um caminho do qual não há desvio. O cemitério nos provoca pavor porque ali se revela a nossa transitoriedade. Morremos sempre porque mudamos a todo tempo. E, um dia, o tempo deixará de existir para nós, visto que passaremos pela última mudança: de vivos para mortos. Os fantasmas nos dão calafrios porque não queremos sê-los, intangíveis, gélidos, solitários, sem rumo, sem mundo, sem vida... O Qohélet, entretanto, é categórico: "É para a sepultura que tu vais" (Eclesiastes 9.10).

Não sei por que temos que morrer. É claro que a expressão "ter que" é metafísica. Do ponto de vista natural, não se trata de um "ter que", porém de um "quando" e um "como". De qualquer modo, a questão ontológica permanece: por que ser e não-ser? Mais teologicamente (cristão): Por que o Criador criou seres que morrem? Por que a separação definitiva e o sofrimento decorrente dela? (Minha mãe acaba de me dizer, via MSN, que uma senhora conhecida nossa de muitos anos faleceu ontem) Por que a dor, a saudade, apenas a lembrança? Na certa, quando o Quarto Evangelho diz que Jesus chorou a morte do amigo Lázaro (João 11.35), não há ali um teatro. "Por que chorou se iria ressuscitá-lo", perguntaríamos. Acredito que a narrativa queira sugerir que o leitor enfrente o fato da morte com a esperança da fé. É possível que para o próprio Jesus a morte fosse mais concreta do que supomos e um verdadeiro desafio à sua mensagem da chegada do Reinado de Deus. De que modo ele procede então? Vive o luto e, solidário àqueles que choravam, assume a esperança de que o Pai trará de volta o querido. Não vou dizer que é fácil acreditar nisso (Marta que o diga!), mais difícil, talvez, seja se conformar com a morte.

Será que a saída é cultivar as boas lembranças dos momentos que passamos com aqueles que se foram? E aproveitar a vida enquanto ainda estamos entre as pessoas, e os animais, e as naturezas que amamos? E duvidar, perguntar, discutir, pensar, repensar?

Por que a morte?

Para Molequinha

domingo, setembro 28, 2008

O caminho

Jesus andava pelo campo e pela cidade
E curava, disseram depois,
Para mostrar o único caminho da salvação.
Se, continuam a dizê-lo, ignorá-lo é a perdição,
Seus bons milagres revelaram, pois,
À gente [des]encaminhada
Da humanidade pluralizada
Que o inferno é a única verdade?

Para Carla Saueressig

quinta-feira, julho 24, 2008

Não adianta!

Não adianta tentarem me convencer do contrário! Qualquer pessoa, de qualquer idade, em qualquer lugar, seja adepta da religião que for (ou não tenha religião nenhuma e não creia em divindade alguma), que use de misericórdia e amor para com outro ser vivo - gente, animal ou planta - anuncia com as suas ações a presença do reinado de Deus. E Deus reconhecerá esses gestos diante de todos. Eu acredito nisso!

domingo, abril 20, 2008

Jesus é ou representa a verdade?

Não sei no momento, sinceramente. Há uma diferença entre dizer que Jesus é a verdade e representa a verdade.

O que se quer expressar é que Jesus é o crivo da verdade quando se diz que ele é a verdade. Jesus é o paradigma na solução do problema da existência humana no mundo se é certo que a religião se ocupa dessa matéria, como a filosofia, embora em outra perspectiva. Nenhuma verdade sobre o ser humano é consistente se não passa na avaliação das palavras que se atribuem a Jesus, acompanhadas dos testemunhos que se dão a respeito dele na literatura do Novo Testamento pois. Cabem duas perguntas sobre essa possibilidade de interpretação da figura de Jesus entre muitas outras: 1) Os testemunhos do Novo Testamento referentes a Jesus necessariamente coincidem com a percepção que ele tinha de si próprio? 2) As palavras e ensinamentos de Jesus poderiam sintetizar definitiva e exclusivamente todas as possibilidades de realização histórica e existencial da vida humana, sendo ele mesmo homem, submetido aos limites de percepção da realidade característicos da condição dos humanos portanto?

A verdade se expressa de muitas maneiras, em vários lugares e tempos, através de várias pessoas, concorrendo para a perpetuação da vida, em geral, e da existência humana, em particular, conquanto inalcançável uniformemente, se Jesus a representa por outro lado. Ele seria um divulgador da verdade, mas sem a reduzir ou monopolizar. Buda, Mohammed, Moisés, Lao-Tsé, Sócrates, filósofos, poetas, romancistas, cientistas, anciãos de tribos indígenas ao redor do mundo seriam todos divulgadores da verdade em sua pluralidade e historicidade. A verdade seria reconhecida naquilo que promovesse a vida em todas as suas formas, já que a vida é tudo o que temos concretamente. Duas perguntas podem ser feitas aqui: 1) A preservação da vida constituiria o critério mais elevado acerca da verdade? 2) A pluralidade dá conta da busca do ser humano pelo fundamento último do seu ser?

Passo a bola...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Homilia [3]: Jesus, o presente de Deus para você

O sermão abaixo foi apresentado por mim como modelo para elaboração de pequenos sermões de evangelização para cultos nos lares durante o PROMIBI, realizado por ITA no início de 2005.

TEMA – Jesus, o presente de Deus para você.
TEXTO – João 3.16-21.
IDÉIA CENTRAL DO TEXTO – Deus amou o mundo e por isso entregou o seu Filho único para salvá-lo. Todo aquele que crê no Filho único de Deus tem a vida eterna e anda na luz e na verdade.

INTRODUÇÃO – Todos nós gostamos de receber presentes. Eles são uma demonstração do carinho de nossos parentes e amigos por nós. Quando somos presenteados por alguém nos sentimos gratos e a nossa relação com essa pessoa é fortalecida. Deus também faz assim. Ele quer lhe dar o maior presente de todos. JESUS É O PRESENTE DE DEUS PARA VOCÊ. Gostaria de convidá-los a me acompanharem na leitura de João 3.16-21. Por que posso dizer que Jesus é o presente de Deus para você?

Jesus é o presente que Deus oferece...

1 – COMO PROVA DO GRANDE AMOR QUE TEM POR VOCÊ (v. 16).

Aplicação: Que resposta você pode dar a esse amor de Deus por você?

2 – PORQUE DESEJA QUE VOCÊ CONFIE EM JESUS (v. 18).

Aplicação: Em que você tem colocado a esperança de sua vida? Não gostaria de confiar em Jesus a partir de agora?

3 - PARA DAR A VOCÊ UMA NOVA VIDA (v. 19-21).
Aplicação: Você acha que precisa mudar algo em sua vida? Gostaria que Jesus o(a) ajudasse?

CONCLUSÃO – Jesus é o presente que Deus lhe oferece como prova do grande amor que tem por você. Ele deseja que você confie em Jesus, colocando nele a esperança da sua vida. Deus quer dar a você uma nova vida através de Jesus.

Homilia [2]: Quando o temporal se levanta...

O sermão abaixo foi apresentado por mim na Igreja Batista em Piracanjuba, Goiás, quando visitava meu amigo e colega de turma no seminário, Pr. Luciano Sardinha.


Piracanjuba - GO, 19 de maio de 2002.

Domingo (noite)

Tema: QUANDO O TEMPORAL SE LEVANTA...

Texto: Marcos 4.35-41.


INTRODUÇÃO

O cristão já participa antecipadamente do Reino de Deus através da fé em Cristo. No entanto, ele ainda vive neste mundo, em uma sociedade dominada pelo pecado, pelo mal e pela morte, onde as coisas podem, de repente, perder o controle e tudo ao redor ficar tumultuado. Talvez não haja imagem melhor para ilustrar isso do que o temporal. Esse fenômeno natural demonstra tremenda força e, por vezes, arrasta tudo pela frente desconcertando qualquer um.

E quando, na experiência do dia-a-dia, o temporal se levanta? O que pensar diante dos vultosos imprevistos com os quais a vida nos surpreende? Gostaria de pensar com os irmãos, nesta noite, sobre o tema: QUANDO O TEMPORAL SE LEVANTA...


Quando o temporal se levanta...

1º) Ele também atinge os que estão com Cristo (v. 36-37). Os discípulos de Jesus, que haviam deixado tudo para segui-lo, estavam com ele no barco quando o temporal começou. A tormenta apanhou tanto os outros barcos que também navegavam pelo mar da Galiléia como aquele em que eles e Jesus se encontravam. O fato de alguém ser crente em Jesus não o livra de passar por situações desagradáveis e momentos de angústia na vida.


Quando o temporal se levanta...

2º) É preciso contemplar a presença de Cristo pela fé para não fraquejar (v. 38). Debaixo da maior tempestade, com os discípulos desesperados, Jesus estava dormindo. Sim, ele estava dormindo, mas estava com eles ali. Aqueles homens temiam a força do vento e estavam admirados de Jesus não despertar, porém o Filho de Deus estava com eles ali. Eles deviam apegar-se à certeza da presença de Jesus com eles no barco e enfrentar seu medo, ao invés de se encolher diante da violência das ondas. Mesmo que a vida nos reserve circunstâncias tão duras, devemos concentrar a nossa atenção na presença de Jesus conosco. Isso se chama fé em Deus.


Quando o temporal se levanta...
3º) Faz-se necessário perseverar na esperança do socorro de Jesus, mesmo que de imediato a situação pareça não mudar (v. 38). Jesus estava no barco, porém os discípulos não viam as coisas melhorarem. Seus olhos estavam fixos na tempestade. Sua fé era pequena porque se orientava por aquilo que o instante lhes fazia sentir. Não conseguiam enxergar, para além disso, a proteção do Jesus com o qual há algum tempo andavam e que tantas coisas espantosas já tinha feito em presença deles. Se as circunstâncias ao nosso redor não mudam de imediato, isso não significa que Jesus está ausente, não tem poder ou nos esqueceu. A fé em Deus é provada na perseverança. Se os problemas persistem, a nossa fé também deve persistir. Deus certamente virá em nosso socorro.

Quando o temporal se levanta...

4
º) Deus poderá agir, ainda que nossa fé seja menor que o temporal (v. 38-39; Mt 8.26). Mesmo com a pequena fé dos discípulos, Jesus realizou o milagre e o mar se acalmou. É verdade que Deus exige que tenhamos fé nele. Entretanto, seu poder não está limitado ao tamanho de nossa fé, tampouco a sua misericórdia. Deus nos ama, e tudo o que Ele faz por nós é por pura bondade e não porque merecemos alguma coisa. O Senhor dá provas do seu amor, mostra que podemos confiar nele em toda ocasião, qualquer que seja a imensidão do nosso problema. A única resposta, pois, que podemos dar a Ele é entregar as nossas vidas em suas mãos.

Quando o temporal se levanta...
5º) E, logo após, a bonança chega, devemos avaliar a nossa fé diante da exigência de Jesus a respeito da confiança absoluta em Deus (v. 40). Jesus perguntou aos seus discípulos por sua fé. A experiência do temporal deve, portanto, levar-nos a refletir sobre a nossa própria fé. A mensagem de Jesus aos seus discípulos era: “Tenham fé em Deus” (Marcos 11.22). A fé declara que Deus é verdadeiro (Jo 3.31-36). Quando cremos em Deus, acreditamos que tudo o que Ele nos diz é verdade e temos a garantia de que Ele fará conosco tudo o que prometeu (Hebreus 11.6). Ainda que tenhamos fraquejado diante da tempestade, devemos lembrar do que Deus fez, como nos ajudou, agradecer e procurar recorrer a Ele “quando os tempos mudarem” daqui por diante. Na Bíblia sempre encontraremos mensagens para fortalecer a nossa fé. A oração será o meio de contarmos a Deus tudo o que está acontecendo e pedir ajuda. Os irmãos da igreja também poderão nos consolar e amparar. Deus está sempre perto, e será achado por aqueles que o buscarem (Mateus 7.7-11).


CONCLUSÃO


Quando o temporal se levanta ele também atinge aqueles que estão com Cristo. Nesse momento é preciso contemplar a presença de Cristo pela fé para não fraquejar. E faz-se necessário perseverar na esperança do socorro de Jesus, mesmo que de imediato a situação pareça não mudar. Ainda que nossa fé seja menor que o temporal, Deus poderá agir em nosso favor. Então, com a chegada da bonança, devemos avaliar nossa própria fé diante da exigência de Jesus a respeito da confiança absoluta em Deus. Amém!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Homilia [1]: Igreja, por que e para quê?

O texto abaixo é um pequeno sermão que apresentei no retiro ITA-Mendes 2004 (30/10 a 02/11).

TEMA: IGREJA, POR QUE E PARA QUÊ?
TEXTO: EVANGELHO SEGUNDO MATEUS, CAPÍTULO 16, DO VERSÍCULO 13 AO 23.

A pergunta que tematiza o nosso encontro é, na verdade, duas perguntas. A pergunta "Igreja, por quê?" tem a ver com possibilidade - O que é que torna a Igreja possível? A pergunta "Igreja, para quê?" diz respeito à finalidade - O que é que orienta a existência da Igreja? Com o exame da passagem de Mateus 16.13-23, procurarei sugerir algumas respostas a essas perguntas.

I. IGREJA, POR QUÊ?

Por causa dos dois movimentos que caracterizam a história da salvação:

1. A REVELAÇÃO - O movimento divino (v. 16-17). Nas palavras de Jesus, de acordo com o evangelista, o seu Pai celeste foi quem revelou a Pedro o que este acabara de dizer: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus! O Filho de Deus no mundo, Deus no mundo, Deus com os homens.

2. A CONFISSÃO - O movimento humano (v. 16). Deus revelou que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e Pedro assim o confessou. A Igreja é uma comunidade confessante, conquanto responde à revelação que Deus faz de seu Filho. E, na medida em que responde, compromete-se com o para quê de sua existência.

II. IGREJA, PARA QUÊ?

1. PROCLAMAÇÃO (v. 19). A Igreja deve dizer às pessoas que elas são convidadas a participar do reino dos céus por meio de Cristo.

2. COMPREENSÃO (v. 20-21). A Igreja precisa continuamente compreender o Cristo que proclama. Jesus não autorizou os discípulos a proclamarem-no como o Cristo sem antes explicar-lhes o que isso significava.

3. TRANSFORMAÇÃO (v. 18, 21-23). A Igreja deve identificar-se com a mensagem de Cristo, procurar nela o sentido para a vida. Os homens e as mulheres que compõem a Igreja falham, equivocam-se. O propósito de Cristo é reorientar o foco de suas preocupações, levá-los a pensar em e a esperar por "as coisas que são de Deus". Deus nos quer para nos transformar.

CONCLUSÃO

A Igreja encontra o seu porquê nos dois movimentos que caracterizam a história da salvação: a revelação de Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo (o movimento divino) e a confissão de fé nessa revelação (o movimento humano).

A partir de sua confissão, a Igreja defronta-se com o seu para quê: proclamação (da salvação em Cristo), compreensão (do significado de Cristo) e transformação (pelo propósito de Cristo).

Que Deus a todos e a todas abençoe! Amém!