"Então, falando ele estas coisas em sua defesa, Festo disse em alta voz:
Estás louco, Paulo! As muitas letras te levam à insanidade!"
(Atos dos Apóstolos 26.24)
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domingo, abril 08, 2012

ELISEU: PROFECIA É AÇÃO SOLIDÁRIA

Prédica proferida na Igreja Batista Central de Novo Hamburgo em 11 de março de 2012.


INTRODUÇÃO


Quero pensar sobre 2Rs 6.8-23. Trata-se de uma história do profeta Eliseu. Uma história impressionante de solidariedade em pleno contexto de uma guerra entre a Síria e Israel. Nela, quero destacar três dimensões da ação profética de Eliseu relacionadas à solidariedade.


1a) ELISEU MOSTRA-SE SOLIDÁRIO PARA COM A SUA COMUNIDADE


Percebemos que a ação profética de Eliseu é dirigida inicialmente à proteção do seu povo contra a ameaça dos sírios. Eliseu entende que a sua atividade de profeta está inserida no quadro maior da aliança do SENHOR com Israel e deve servir à promoção dessa aliança. Embora críticos ferozes de Israel em vários momentos, os profetas, como é o caso de Eliseu aqui, também põem-se ao lado do seu povo para solidarizarem-se com eles em momentos de crise.

É curioso que, em todo o ciclo de Eliseu (2Rs 2 - 13), haja várias histórias de milagres desse profeta em que grupos mais amplos de pessoas são beneficiados. Eliseu mostra que o SENHOR em nome de quem ele profetiza está presente quando há ações concretas de solidariedade do homem e da mulher de fé, ao mesmo tempo, em favor da comunidade de fé e também da comunidade secular. Digo isso porque a crise que Israel enfrentava era também uma crise política. Do mesmo modo, não somos somente pessoas vinculadas a um grupo religioso, mas igualmente cidadãos. Não basta dizer o que é que Deus quer para a igreja, o bairro, o município, a cidade, o país ou o mundo, seja consolo, justiça, recursos ou caridade. É preciso pessoalmente empenhar-se para que essas coisas aconteçam. O SENHOR dissera a Eliseu quais eram as pretensões dos sírios em relação a Israel. Mas Israel só foi salvo porque o profeta comunicou o que sabia ao rei.

Gostaria de sugerir que você pensasse modos pelos quais pode mostrar-se solidário em favor desta comunidade cristã da qual faz parte e em favor de outros grupos sociais nos quais você está inserido(a): Há atividades aqui na igreja em que você poderia ajudar? Há alguma coisa que você possa fazer para melhorar as condições de vida no seu bairro? Há pessoas e animais aos quais você poderia prestar assistência?


2o) ELISEU MOSTRA-SE SOLIDÁRIO PARA COM O SEU COMPANHEIRO MAIS PRÓXIMO


Na angústia do seu moço por causa do cerco dos sírios a Dotã, Eliseu amparou-o. O texto deixa claro que o profeta era o principal implicado naquela ameaça. Entretanto, Eliseu deixou a si mesmo de lado por um momento e foi cuidar do seu companheiro aflito.

O milagre fora incrível, sem dúvida! Imagine olhar as montanhas e vê-las tomadas por cavalos e carros de fogo! E mais, um exército tão surreal que está a nosso favor! O moço de Eliseu certamente foi confortado diante da ameaça do cerco das tropas dos sírios. Só que ele só pode ver o que viu porque Eliseu, o profeta, encorajou-o e, em seguida, pediu ao SENHOR por ele. A solidariedade de Eliseu "abriu os olhos" do seu moço para ver mais amplamente e, assim, devolveu-lhe a esperança. Eliseu ajudou seu moço a lidar com aquela situação de tensão e tranquilizou-o.

Há muitos, é verdade, que precisam de nossa solidariedade. E quanto àqueles que estão mais próximos de nós? São mães, pais, esposas, esposos, filhas, filhos, parentes, amigos, pessoas de nossa intimidade, animais de estimação que podem estar sofrendo sem que a gente dê pela coisa. Podemos achar que é suficiente dizer que precisam fazer isso ou aquilo para melhorar. Mas a solidariedade parece exigir que apoiemos esses nossos próximos fazendo tudo o que pudermos e, ainda, permaneçamos ao lado deles(as) mesmo que, no momento, não saibam, ou não consigam, ou não queiram fazer o necessário para melhorarem. Eliseu disse ao seu moço: Não temas, ou seja, tranquilize-se! Também disse: Você não está sozinho, eu estou do seu lado e há muito outros por nós! Depois, o próprio Eliseu faz algo em favor do rapaz: uma oração ao SENHOR. Em sua ação solidária, Eliseu move-se do seu moço para si. O companheiro do profeta não resolveria sua crise sozinho. Eliseu assegurou-lhe que havia três envolvidos na solução do problema: o moço, o SENHOR e o próprio profeta.

"Abrir os olhos" de nosso mais próximo aflito não é algo com que lidar como se fosse coisa qualquer, que não nos diz respeito. Envolve ser os olhos do outro enquanto este os tem (ou mantém) fechados.


3o) ELISEU MOSTRA-SE SOLIDÁRIO PARA COM AQUELES QUE LHE QUERIAM MAL


Os sírios haviam cercado Dotã para prender Eliseu. Diante daquele exército hostil, o profeta age em três etapas:

a) Fechando os olhos sírios: A primeira oração de Eliseu ao SENHOR em relação aos sírios, bastante específica, desencadeia uma cegueira nos seus adversários. É como se a atitude de Eliseu fizesse com que os sírios se deparassem com o que estava envolvido em sua ação agressiva. A hostilidade prejudica não apenas quem é hostilizado, mas também quem hostiliza. Isso desnorteia a pessoa, pois ela já não é capaz de enxergar mais nada além do mal que quer causar, acabando, no final, por ser atingida por suas próprias ações.

b) Conduzindo os sírios enquanto cegos: Eliseu leva os sírios cegos para dentro da Samaria, capital de Israel, seus adversários. O profeta procura, ironicamente, conduzi-los a "olhar mais de perto" a condição em que sua hostilidade os coloca. Isto é, através de Eliseu, os sírios percebem aonde sua agressividade vai levá-los: a mais agressividade por parte daqueles a quem têm por inimigos. Notem que o rei de Israel, logo que vê os sírios em seu poder, já quer matá-los!

c) Abrindo os olhos dos sírios (e de Israel) para que entendessem que, ao mal, responde-se com o bem: Os sírios se deram conta da enrascada em que se meteram. Foram atrás de Eliseu e caíram nas mãos de Israel. O ansioso rei de Israel, por sua vez, não podia esperar por chance melhor de acabar com a raça dos inimigos. Entre os dois lados, estava Eliseu. O profeta, porém, faz algo que surpreende os sírios e Israel. O rei de Israel, diz Eliseu, se quisesse, que matasse aqueles a quem ele próprio capturasse. Os cativos trazidos pelo profeta, entretanto, seriam alimentados e libertados. Os sírios e Israel vinham uns de encontro ao outro com ódio. Eliseu veio ao encontro de ambos com solidariedade. O último versículo do texto diz que "da parte da Síria não houve mais investidas na terra de Israel".

Solidariedade não se pratica por merecimento, mas humanidade. Não para ganhar alguma coisa, mas dar o que o outro precisa. E, mesmo que haja ódio do outro lado, os efeitos do gesto solidário podem ser incríveis.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Alguns estudiosos do Novo Testamento já disseram que Jesus, conforme descrito nos Evangelhos Sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas), aproxima-se muito do estilo de Elias e Eliseu. Os três notabilizam-se pelos milagres que fazem, sim, mas também por aquilo que está envolvido em tais milagres: a solidariedade para com as pessoas. Pode-se dizer que, em certo sentido, Jesus foi discípulo de Eliseu. Como Eliseu, Jesus preocupava-se com seu povo e assistiu muitas pessoas. Como Eliseu, Jesus cuidava dos seus próximos: ele alimentou seus discípulos, ensinou-os e defendeu-os, procurando, inclusive, por aqueles que o haviam abandonado quando fora preso. Como Eliseu, Jesus não negou ajuda a pessoas consideradas indignas ou inimigas, além de não ameaçar ou reagir com violência contra aqueles que o torturavam. Jesus andou nos passos de Eliseu. Vamos junto com ele?

domingo, março 06, 2011

Jacó e o "homem" do Jaboque: um causo pra ouvir e pensar sobre a gente

Novo Hamburgo, 06 de março de 2011.

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Espírito Santo


INTRODUÇÃO


Nesta época, as pessoas vão às ruas ou às passarelas do samba para participar do espetáculo do carnaval. As escolas de samba vão embalar as multidões contando histórias com muita criatividade. E se a gente também ouvisse uma boa história hoje? Vamos ler Gênesis 32.23-33.

Essa é uma história popular, muito antiga, mais antiga que a Bíblia. É como os “causos” que nossos avós e outros parentes contavam. Ao querer atravessar o rio Jaboque por um vau, isto é, um trecho mais raso, Jacó briga com um “homem” misterioso durante a noite toda e termina com a coxa machucada. O tal homem desaparece pouco antes de surgir o sol.

Isso me parece um conto de assombração. Ué? Mas na Bíblia tem isso? Tem! E sabe o que é mais legal? Israel soube ler, nesses “causos que o povo contava”, como os seus antepassados e Deus aproximaram-se e estiveram juntos no dia-a-dia da vida. Porque as histórias que a gente conta e que a gente ouve são sobre nós mesmos, nossos medos, nossas dores, nossas superações, nossas crenças, nossas espiritualidades.

Que tal saborear um pouco essa história e pensar algumas coisas sobre as espiritualidades da gente? Digo “espiritualidades” porque cada um de nós tem a sua, com a cara de cada um de nós, embora haja sempre elementos comuns e a base de todas elas pretenda ser a mesma: a fé em Deus orientada pela vida de Jesus.



  1. CUIDAR DAQUELES A QUEM AMAMOS (23-24)


Se bem que seja possível pensar nela como um conto de assombração, essa é, também, a história de um homem e das pessoas que lhe são importantes. Jacó encarrega-se da travessia da sua comitiva, composta por suas mulheres, suas escravas domésticas, seus filhos, seus servidores e seus animais.

Aqui há um jogo de palavras no hebraico, o qual, caso traduzíssemos literalmente, seria: “vadearam o vau”. É possível que, ao mostrar Jacó fazendo-os vadear, a história queira dizer que ele estava preocupado em cuidar deles, da sua segurança. Mesmo que por um local pouco profundo, cruzar um rio sempre envolve um risco. Desse modo, Jacó mantém-se ao lado dos seus queridos quando eles precisam atravessar.

A nossa família, os nossos amigos, as nossas comunidades estão vadeando vaus toda hora. São experiências escolares, emocionais, financeiras, lutuosas, enfim, de todo tipo. Onde estamos nessas horas? Ao lado deles, amparando-os quando vadeiam esses vaus?



  1. QUERER COISAS BOAS PARA NÓS E PERSISTIR EM BUSCÁ-LAS (25-29)


Depois de ajudar a comitiva a passar para o outro lado, Jacó depara-se com um “homem” e eles começam a brigar. Nas culturais mais ancestrais, acreditava-se que a natureza toda era um ser animado. A natureza não era feita de matéria-prima, mas de vida. Sendo assim, junto às árvores, aos desertos, aos rios havia poderes que vigiavam esses lugares e, de certo modo, personificavam toda a força e todo o movimento que se notavam ali. Daí, nesse relato, a força de vida do riacho ser personificada por “um homem”, como quer que queiramos chamá-lo: “ser divino”, “aparição”, “fantasma”, etc.

Ele opõe-se a Jacó, os dois brigam e Jacó termina machucado. A história acaba aqui? Não. Ela continua a ser contada ao longo do tempo e outros vão reconhecendo nela a evidência de algo maior, que passa a fazer parte do texto de forma mais explícita.

Em primeiro lugar, apesar de machucado, Jacó não se deu por vencido, pois queria algo bom para si: receber a bênção daquele ser. Isso não deve nos surpreender, pois, a essa altura, a fé no Deus dos hebreus como a autoridade última sobre todas as coisas já está a enriquecer o sentido do nosso conto. Inclusive, Jacó havia orado antes ao Deus de seus pais, pois precisava que este o protegesse de seu irmão, Esaú, que ele estava indo encontrar (Gn 32.9-11).

Em segundo lugar, a persistência de Jacó em experiências passadas fez dele uma pessoa mais robusta diante da vida. Talvez seja esse o significado que a história queira dar ao nome “Israel”, com o qual o ser renomeia Jacó: ele tornou-se um homem melhor, na medida em que persistiu em buscar coisas saudáveis, positivas (família, trabalho, fé, bons relacionamentos), mesmo diante das dificuldades. A etimologia popular da história faz o homem misterioso lhe dizer: “Com deuses e homens tu te desentendeste, mas prevaleceste.”

Qualquer tempo é tempo de procurar por aquilo que é digno de ser buscado, que nos tornará pessoas melhores, que dará rumo e sentido à nossa vida. Não importa se formos mais rápidos ou mais lentos para alcançar, o fundamental é querer coisas boas e persistir em buscá-las.



  1. PROCURAR POR DEUS E PELO BEM NAS DIVERSAS SITUAÇÕES (30-31)


Na forma como a recebemos hoje, nossa história reconhece que Jacó encontrou-se com o próprio Deus que será o Deus de seus descendentes, os israelitas.

É curioso observar que Jacó saiu ferido da luta. No entanto, ele conseguiu perceber que Deus esteve envolvido no episódio, de modo que a sua vida fora tirada do perigo. Em outras palavras, Jacó foi conservado vivo.

Obter respostas para o sofrimento quase nunca é possível. Entender como Deus está relacionado às coisas ruins que acontecem também é uma equação difícil de resolver. Mas procurar pelo bem, isto é, avaliar o que pode ser (ou permanecer, ou resultar) positivo numa situação ruim talvez ajude a lidar melhor com ela.

Procurar pela companhia de Deus poderá auxiliar-nos com nossas dores, na medida em que lhe dizemos o que sentimos. Jacó estava com a coxa deslocada, mas disse que, ao encontrar-se com Deus, sua vida havia sido salva. Pode ser que as “faces de Deus” não representem para nós um direito de receber todas as respostas, porém um convite para dirigirmo-lhe todas as perguntas e todo o desconsolo, ao mesmo tempo, ampliando nosso olhar para ver que bem há em meio às circunstâncias nas quais nos encontramos.


CONCLUSÃO


Através desse conto bíblico de “assombração”, pudemos pensar na importância de cuidarmos daqueles a quem amamos. Fomos também incentivados a querer coisas boas para nós e persistir em buscá-las. Quanto às diversas situações que nos sobrevêm, consideramos a oportunidade de procurar por Deus e pelo bem que pode haver nelas, a fim de vivermos melhor.

Fiquem com Deus e uns com os outros.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

EM 2010, OUVIR, (RE e ANTE)VER, CHAMAR

Apresentei esta "prédica" na Paróquia Evangélica Espírito Santo, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), em Novo Hamburgo (RS), no dia 27 de dezembro de 2009, convidado por minha querida e amada Esposa, a Pastora Carla Saueressig da Silva.


INTRODUÇÃO

Vai chegando ao fim o ano 2009. Nos últimos doze meses estivemos ocupados com muitas coisas em várias situações: preocupamo-nos com o bem-estar de nossos familiares, dedicamo-nos às nossas atividades profissionais (ou estivemos à procura de um emprego), estivemos atentos à nossa saúde, cuidamos de nossas casas, compramos, vendemos, negociamos, viajamos, sorrimos, choramos. Em nossa paróquia, fomos pastoreados pela Pastora Carla – a Pastora mais linda da IECLB –, participamos dos cultos, das reuniões de jovens, do Grupo Reviver, dos jantares dos homens e das mulheres. Talvez, muitas dessas coisas faremos novamente em 2010, porém, como diz a música, “o meu destino será como Deus quiser”.

É claro que, segundo cremos, Deus realmente faz o que quer e é nos acontecimentos da vida que somos chamados a refletir sobre o que ele está fazendo e como podemos experimentar e participar disso. Santo Agostinho dizia que Deus muda as coisas sem mudar o seu plano.[1] Em outras palavras, ainda que nunca compreendamos como, é apenas diante de Deus que o tempo e a vida, absolutamente complexos e imprevisíveis, não podem esconder as cartas do seu jogo.

2010 é um mistério ao qual estamos prestes a passar. Não somos capazes (e ninguém é) de prever o que irá acontecer e que tipo de circunstâncias iremos enfrentar. Todavia, como cristãos, podemos adotar algumas atitudes através das quais seguir pelas estradas que a vida, e nós inseridos nela, for construindo diante de nós. Com a leitura de DEUTERONÔMIO 4.1-9, convido vocês a, em 2010, OUVIR, (RE)VER E CHAMAR.


Em 2010, o que eu devo ouvir?

1o) OUVIR A LEI E AS PROMESSAS DE DEUS (v. 1-2)

O livro de Deuteronômio, o quinto do Antigo Testamento da Bíblia cristã, é um conjunto de discursos de Moisés, através dos quais este repassa a trajetória dos israelitas desde o monte Horebe (em Êxodo, chamado “Sinai”) até às fronteiras da terra de Canaã. A geração que saíra do Egito, com a exceção de Josué e Calebe, morrera durante a peregrinação, visto que, tendo chegado já antes à beira da terra prometida, descreu da palavra de Deus que Moisés trouxera (Números 14.26-30). Uma nova geração surgiu (Números 14.31) e está prestes a entrar na posse que Deus havia prometido.

Moisés recomenda-lhes, pois, a OUVIR. Ouvir o quê? Os estatutos e os juízos de Deus que o profeta ensinava e a promessa de Deus que o profeta assegurava. É claro que o OUVIR não se refere apenas à decodificação pelo nosso cérebro das ondas sonoras que nos chegam aos ouvidos. OUVIR, como diz o texto, é APRENDER (“ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino”), CUMPRIR (“para os cumprirdes”) e CRER (“possuiais a terra que o SENHOR, o Deus de vossos pais, vos dá”). Segundo Moisés, quando ouvimos a Lei e a Promessa de Deus encontramos a VIDA (“ouve... para que vivais”). Antes de mais nada, devemos OUVIR para que VIVAMOS, isto é, não nos tornemos reféns das circunstâncias, para bem ou para mal, mas sim agarremos a esperança de que podemos, por Deus, VIVER apesar de tudo.


Em 2010, o que eu devo (re)ver?

2o) (RE)VER OS ERROS E OS ACERTOS E (ANTE)VER O QUE SERÁ CASO TENHAMOS DEUS CONOSCO (v. 3-6)

Por que (re)ver os erros? A fim de que lembremos a dor que nos trouxeram e não cometê-los novamente. Israel envolveu-se com o povo de Moabe e seu deus Baal-Peor e pagou um preço caro (Números 25.1-9).

Por que (re)ver os acertos? Para sentirmos a alegria, nossa e dos outros, pelo que nosso bom proceder trouxe e identificarmos mais este marco da estrada por onde Deus quer que vamos. Alguns de Israel não seguiram Baal-Peor, como Finéias, neto de Arão (Números 25.6-13), e puderam permanecer até aquele momento de entrar em Canaã.

Como assim antever o que será se tivermos Deus conosco? A questão não é o que vamos ganhar ou perder, mas como lidaremos com o que vier. Se procurarmos por Deus, priorizaremos a responsabilidade e a ética em nossos caminhos e extrairemos sabedoria da vida. Era o que Deus aconselhava e prometia a Israel: sabedoria e justiça.


Em 2010, por quem eu devo chamar?

3o) CHAMAR POR DEUS SEMPRE, POIS É CERTO QUE ELE SE ACHEGARÁ A NÓS (v. 7)

Embora tivesse passado por fracassos e sofrimentos, Israel podia dizer: “O SENHOR achega-se a nós todas as vezes que o invocamos!” É um engano achar que Deus não nos receberá porque pecamos. Lutero agradecia a Cristo por este tomar o pecado dele, dando-lhe em troca a sua graça.[2] Lutero sabia que, quando vamos a Cristo em pecado, este nos recebe para conduzir-nos à confissão, ao perdão e à transformação pelo poder do Espírito Santo.

É também um engano achar que não importa que pequemos, já que Deus nos receberá. Quem pensa assim, não achará Deus, pois de fato não o está procurando.

Outro equívoco é pensar que Deus não nos ouve porque nosso sofrimento não passou. Infelizmente, mesmo que esta seja uma questão que inquietará a mente humana enquanto esta existir, o sofrimento faz parte da vida e, em meio a ele, devemos fazer como Jesus: gritar para Deus do fundo do nosso ser (Marcos 15.34; cf. Hebreus 5.7-10). Ainda que se sentisse abandonado, o Nazareno gritou na cruz porque sabia que Deus iria ouvir seu grito. O sofrimento, assim como a satisfação, vai e vem, mas a proximidade de Deus nunca desaparecerá. Em 2010, e por toda a sua vida, sempre chame por Ele.


CONCLUSÃO

Em 2010, OUÇA a Lei e as Promessas de Deus; (RE)VEJA os erros e os acertos e (ANTE)VEJA o que será se tiver Deus com você; e CHAME sempre por Deus, pois Ele está pronto para achegar-se a você. Amém


Notas:
[1] SANTO AGOSTINHO. Confissões, Livro I, 4. In: http://www.veritatis.com.br/article/2887. Acesso em 28/12/2009.
[2] “Senhor Jesus Cristo, tu és minha justiça, eu, porém, sou teu pecado: Levaste sobre ti o que é meu, e deste a mim o que é teu. Tomaste sobre ti o que não eras, e deste a mim o que eu não era.” In: http://www.luteranos.com.br/categories/Quem-Somos/Nossa-Hist%F3ria/Martim-Lutero/Ora%E7%F5es-de-Lutero/. Acesso em 28/12/2009.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

A BÍBLIA SAGRADA: ANTIGO E NOVO TESTAMENTO. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2. ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

quarta-feira, outubro 07, 2009

O QUE SIGNIFICA CONHECER DEUS?

Apresentei esta "prédica" na Paróquia Evangélica Espírito Santo, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), em Novo Hamburgo (RS), no dia 04 de outubro de 2009, convidado pela Pastora Carla Saueressig, com quem vou casar.


INTRODUÇÃO

Uma pergunta importante deve estar presente durante toda a vida de um cristão: “Quem é Deus?” Mais do que uma questão filosófica, essa pergunta tem a ver com aquilo que faz de alguém um cristão realmente. Jesus deu respostas fundamentais. “Deus é espírito”, disse ele à mulher samaritana, de acordo com o Evangelho de João (4.24). Assim, Deus é uma realidade superior à vida simplesmente terrena. Por isso, o ser humano só pode se aproximar dele espiritualmente, isto é, pela adoração.

“Eu e o Pai somos um”, afirmou Jesus para os judeus de sua época, ainda segundo o Evangelho de João (10.30). O Pai e Jesus, Seu Filho, possuem um relacionamento eterno e indivisível. Por isso, a Igreja irá confessar que Deus é triúno: Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. O Deus triúno trabalha para a nossa salvação: o Pai enviou Jesus Cristo ao mundo. Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nos dar vida nova. O Espírito Santo nos leva a crer em Jesus e, a partir dessa fé, passa a habitar em nós, confirmando que somos filhos de Deus (Romanos 8.16).

A Reforma Protestante afirmou que Deus se manifesta por meio de Sua Palavra. De acordo com Lutero, Deus faz tudo por meio de sua palavra.[1] Daí, a importância da pregação bíblica para que o cristão conheça quem é Deus. Sendo assim, que outros exemplos na Bíblia podem nos dar lições sobre o conhecimento de Deus em nossa vida? O profeta Oséias trata dessa questão. Vamos ler os seguintes textos: Oséias 4.6; 5.15 – 6.6. A partir deles, quero refletir com vocês sobre o seguinte tema: "O que significa conhecer Deus?"


1. CONHECER DEUS É MAIS DO QUE DESEJAR CONHECÊ-LO

O profeta Oséias viveu no reino de Israel, ao norte da Palestina, durante o reinado de Jeroboão II (Oséias 1.1; 2Reis 14.23-29). Nessa época, o povo adorava Iavé, o SENHOR, o Deus de Israel, mas também cultuava outros deuses (Oséias 4.17; 14.8). Baal, um deus associado à chuva, era um desses (Oséias 2.13; 13.1). Assim, o que Iavé fazia por Israel era atribuído a Baal (Oséias 2.8).

Quando Oséias ameaça seus ouvintes com o castigo, eles logo respondem com uma declaração de fé em Deus aparentemente sincera, de que a solução para eles era buscar conhecer a Deus (Oséias 5.15 – 6.3). Mas, apesar do que diziam, Deus lhes fala: “Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa” (Oséias 6.4).

É importante que nosso conhecimento de Deus não fique apenas em palavras sobre o desejo que temos de conhecê-lo. As pessoas costumam dizer que acreditam em Deus. Só que acreditar que Deus existe e que pode fazer algo por nós não garante que o conheçamos. Israel dizia: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR (...) ele descerá sobre nós como a chuva (...)” (Oséias 6.3). Mas o profeta exigia deles algo mais.


2. REJEITAR A PALAVRA DE DEUS É REJEITAR CONHECER DEUS

Deus, através de Oséias, diz ao povo que eles estão sendo destruídos por falta de conhecimento (Oséias 4.6). E por que lhes faltava o conhecimento? O profeta diz que os sacerdotes rejeitaram a Lei de Deus. Faltava a Israel o conhecimento da Palavra de Deus que o sacerdote deveria ensinar. Nela, o povo aprenderia a adorar a Deus e a agir de acordo com sua vontade (Oséias 4.9-10). No Novo Testamento, Paulo irá dizer: “Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi dada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa (...)” (Gálatas 3.19). Através da Lei, Deus quer prevenir o seu povo contra o pecado e também revelar o Salvador, Jesus Cristo. Através da palavra de Cristo, recebemos o evangelho da salvação (Romanos 10.13-17).

Assim, conhecer Deus significa conhecer Sua Palavra, isto é, a Lei e o Evangelho. A Lei revela que somos pecadores e precisamos da graça de Deus. O Evangelho nos anuncia que somos salvos do pecado através da obra de Cristo (Romanos 3.19-28). Infelizmente, o Israel de então permaneceu longe da Lei de Iavé e o resultado foi esse: atacados pelo povo assírio, morreram ou tornaram-se escravos (2Reis 17, especialmente v. 22 e 23).


3. CONHECER DEUS SIGNIFICA DEMONSTRAR MISERICÓRDIA COMO SUA PALAVRA RECOMENDA

Israel, na época de Oséias, oferecia sacrifícios ao seu Deus (Oséias 6.6; 8.13). Mas Iavé, o SENHOR, não os aceitava, pois não vinham acompanhados do conhecimento de Deus. Este conhecimento, requerido por Deus na palavra do profeta, é a misericórdia. A palavra hebraica para misericórdia é hesed[2], que pode também ser traduzida por amor[3] e comprometimento[4]. Conhecer Deus é amar Deus e, portanto, comprometer-se com a Palavra de Deus. Lemos isso em Deuteronômio 6.5-6: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração”.

Conhecer Deus é também amar o próximo e comprometer-se com ele. Em Levítico 19.18 está dito: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR”. Deus é conhecido e reconhecido quando amamos o próximo e nos comprometemos com ele.

O profeta Oséias estava reagindo contra algo muito diferente da misericórdia, do amor e do comprometimento desejados por Deus: “O que prevalece é perjurar[5], mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios (...) Como hordas de salteadores que espreitam alguém, assim é a companhia dos sacerdotes, pois matam no caminho para Siquém; praticam abominações” (Oséias 4.2; 6.9).

Temos demonstrado conhecimento de Deus, mostrando misericórdia e comprometimento em nossos relacionamentos?


CONCLUSÃO

Aprendemos com o profeta Oséias que conhecer Deus não é apenas desejar conhecê-lo, mas encontrá-lo em sua Palavra. A Palavra de Deus revela a vontade de Deus para nós. Nesta Palavra reconhecemos que Deus deseja de nós amor e comprometimento uns para com os outros. Que Deus nos ajude a viver assim. Amém!


Notas:

[1] JUNGHANS, Helmar. Temas da teologia de Lutero, p. 17.
[2] חֶסֶד
[3] A Bíblia de Jerusalém, p. 1723.
[4] KIRST, Nelson et.alii. Dicionário hebraico-português e aramaico-português, p. 73.
[5] Perjurar: jurar falso; quebrar o juramento. Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues. Acesso em 03 de outubro de 2009.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista. São Paulo: Paulus, 1985. 2366 p.

A BÍBLIA SAGRADA: ANTIGO E NOVO TESTAMENTO. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2. ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

JUNGHANS, Helmar. Temas da teologia de Lutero. Trad. Ilson Kayser, Ricardo W. Rieth, Luís M. Sander e Letícia Schach. São Leopoldo: Sinodal, 2001. 188 p.

KIRST, Nelson et.alii. Dicionário hebraico-português e aramaico-português. 16. ed. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis: Vozes, 2003. 305 p.

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues. Acesso em 03 de outubro de 2009.

quinta-feira, agosto 20, 2009

JESUS, O NOVO TEMPLO

Apresentei esta "prédica" na Paróquia Evangélica Espírito Santo, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), em Novo Hamburgo (RS), no dia 16 de agosto de 2009, convidado pela Pastora Carla Saueressig, com quem vou me casar.


Texto: Lucas 23.44-49.

INTRODUÇÃO

A celebração da Ceia do Senhor é uma ocasião importantíssima para a igreja cristã. Martim Lutero considera a Santa Ceia um testamento de Cristo: “Cristo partilha seu corpo e sangue mediante o pão e o vinho, enquanto o ser humano recebe essas dádivas” .[1] Hoje, pela manhã, ouvia na Rádio União, um coral que cantava o seguinte: “Por um pedaço de pão e um pouquinho de vinho, Deus se tornou refeição e se fez o caminho”.[2] Cabe, portanto, neste momento, pensar a respeito da morte de Jesus. Particularmente, gostaria que fizéssemos a leitura da narrativa em Lucas 23.44-49.


1. O CENÁRIO DA MORTE E O VÉU RASGADO

É uma narrativa curiosa. Ela também aparece em Mateus (27.45-56) e Marcos (15.33-41). As sequências narrativas são as seguintes:




Além das diferenças de tamanho, detalhes e estrutura que apresenta de evangelho para evangelho, a narrativa é curiosa porque coloca no cenário da morte de Jesus uma informação que aparentemente não tem nada a ver: o véu do Templo é rasgado. De repente, o leitor é transportado do Calvário para o Templo de Jerusalém e, rapidamente, trazido de novo ao Calvário. Por quê?

2. O TEMPLO DE JERUSALÉM E O VÉU DO SANTO DOS SANTOS

O Templo era uma instituição muito importante para o judaísmo daquela época. Segundo os livros de Samuel e Reis, havia sido prometido por Deus a Davi: Salomão, o filho de Davi, construiria o Templo e ali Deus habitaria no meio de Israel (2Samuel 7.12-13; 1Reis 6.12-13). O 1º Templo foi construído, então, por Salomão. Após o exílio babilônico, foi reconstruído no tempo de Zorobabel, durante o período persa (cf. Esdras 4.24 - 6.22; Ageu 1.1 - 2.9). Este Templo passou por restaurações durante o período de Herodes, o Grande[3], o mesmo que perseguiu Jesus menino (Mateus 2).

No interior do edifício do Templo, um véu separava o Santo dos Santos do Santo Lugar, o salão maior. O véu é antes mencionado em Êxodo 26.31-33: “Pendurarás o véu debaixo dos colchetes e trarás para lá a arca do Testemunho para dentro do véu; o véu vos fará separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos” (v. 33).[4] Em seguida, também se fala dele durante a construção do 1o Templo: “E cobriu Salomão a casa por dentro de ouro puro, e, com cadeias de ouro, pôs um véu diante do oráculo, e o cobriu com ouro” (1Rs 6.21; cf. 6.16)[5]. O véu, portanto, separava o Santo Lugar do Santo dos Santos, tanto no Tabernáculo de Moisés quanto no Templo de Salomão.

O que se fazia no Santo dos Santos? De acordo com Levítico 16 (cf. 23.26-32), o sacerdote entraria uma vez por ano (v. 34) “para dentro do véu” (v. 11-12), com vestimentas sagradas especiais e banhado em água (v. 4), a fim de oferecer o sangue por meio do qual faria a expiação dos pecados por si e sua família (v. 11) e pelo povo (v. 15). O sangue era oferecido sobre o propiciatório, a peça que ficava por cima da arca da Aliança (v. 14-15). O chamado “Dia da Expiação” ocorria no dia 10 do mês de Tishrei, o sétimo do calendário judaico (Levítico 23.27). Neste ano de 2009, o Dia da Expiação (Yom Kippur) será comemorado em 28 de setembro.[6]

3. O VÉU DO TEMPLO E A MORTE DE JESUS

Podemos pensar que, quando os três primeiros Evangelhos mencionam rapidamente o véu do Templo na narrativa da morte de Jesus, pretendem fazer uma relação. O que o véu rasgado tem a ver com a morte de Jesus?

Se o véu que cobria a entrada do lugar onde a expiação era feita foi rasgado, concluímos que foi retirado o impedimento de acesso à presença de Deus. De acordo com o Levítico, Deus aparecia no Santo dos Santos por sobre o propiciatório (16.2). Já que o sacerdote deveria apresentar ali o sangue para fazer a expiação, a morte de Jesus é divulgada nos Evangelhos como a oferta de expiação aceita definitivamente por Deus. É possível dizer que a morte de Jesus representa, ao mesmo tempo, a manifestação de Deus que oferece o perdão e a oferta entregue a Deus pelos pecados. É em Jesus e por Jesus que se dá o perdão dos pecados e a reconciliação com o SENHOR.

Se notarmos a linguagem de Lucas, perceberemos que, após se rasgar o véu no Templo, Jesus entrega a sua vida ao Pai. Parece que o autor quer dizer que não é mais no Templo e do sacerdote que Deus receberá a oferta expiatória e perdoará o seu povo. Isso aconteceu no Calvário, onde, na cruz, Jesus ofereceu a sua vida a Deus. No Evangelho de João, inclusive, o corpo de Jesus é chamado de “templo” (João 2.21).[7] Na Carta aos Hebreus, o autor chama a carne de Jesus (isto é, o seu corpo) de “véu”, através do qual o Filho de Deus consagrou um caminho novo e vivo de perdão (Hebreus 10. 20).

Com este episódio, o evangelista pretende confirmar a fé com a qual o destinatário de seus livros, Teófilo, fora instruído (Lucas 1.4): “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lucas 24.46-47).

É interessante que, diante deste “Templo”, o centurião romano reconheça a manifestação da justiça. É certo que suas palavras indicam especificamente que Jesus não tinha culpa que merecesse aquele castigo. Mas não dá para deixar de pensar que Jesus é o novo Templo, através do qual judeus e não-judeus podem encontrar a justiça de Deus, por meio da conversão e do perdão.

Podemos lembrar aqui de Paulo. Ele transmitiu aos coríntios a fé que havia recebido: “[...] Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras [...]” (1Coríntios 15.3).[8]

CONCLUSÃO

Ao participar da Ceia, por meio do texto lido no Evangelho de Lucas, podemos refletir sobre a morte de Jesus como o culto perfeito: Jesus entrega a sua vida como oferta única de expiação e Deus manifesta-se para reconciliar o ser humano consigo. Por isso, Jesus é o novo Templo, onde se pode encontrar Deus através da conversão e do perdão.

Notas:

[1] JUNGHANS, Helmar. Temas da teologia de Lutero, p. 32.

[2] PADRE ZEZINHO. Por um pedaço de pão. Disponível em http://www.letras.com.br/padre-zezinho/por-um-pedaco-de-pao. Acesso em 16/08/2009.

[3] A Bíblia de Jerusalém, p. 1803, nota “l” (relativa a Ageu 2.9); cf. a nota "t", na página 1989, relativa a João 2.20: "A reconstrução do Templo havia sido iniciada no ano 19 antes de nossa era, o que situa a cena na Páscoa do ano 28."

[4] Almeida Revista e Atualizada.

[5] Almeida Revista e Corrigida.

[6] http://www.candlelightingtimes.org/shabbos/br.htm. Acesso em 15/08/2009.

[7] Almeida Revista e Corrigida. A Almeida Revista e Atualizada traz “santuário”.

[8] Almeida Revista e Atualizada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A Bíblia: Almeida Revista e Atualizada no Brasil. 2.ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

A Bíblia: Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 1985. 2366 p.

JUNGHANS, Helmar. Temas da teologia de Lutero. Trad. Ilson Kayser et. alii. São Leopoldo: Sinodal, 2001. 188 p.

http://www.bible-architecture.info/4.The_8.gif. Acesso em 20/08/2009. Templo de Herodes.

http://www.candlelightingtimes.org/shabbos/br.htm. Acesso em 15/08/2009.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Homilia [3]: Jesus, o presente de Deus para você

O sermão abaixo foi apresentado por mim como modelo para elaboração de pequenos sermões de evangelização para cultos nos lares durante o PROMIBI, realizado por ITA no início de 2005.

TEMA – Jesus, o presente de Deus para você.
TEXTO – João 3.16-21.
IDÉIA CENTRAL DO TEXTO – Deus amou o mundo e por isso entregou o seu Filho único para salvá-lo. Todo aquele que crê no Filho único de Deus tem a vida eterna e anda na luz e na verdade.

INTRODUÇÃO – Todos nós gostamos de receber presentes. Eles são uma demonstração do carinho de nossos parentes e amigos por nós. Quando somos presenteados por alguém nos sentimos gratos e a nossa relação com essa pessoa é fortalecida. Deus também faz assim. Ele quer lhe dar o maior presente de todos. JESUS É O PRESENTE DE DEUS PARA VOCÊ. Gostaria de convidá-los a me acompanharem na leitura de João 3.16-21. Por que posso dizer que Jesus é o presente de Deus para você?

Jesus é o presente que Deus oferece...

1 – COMO PROVA DO GRANDE AMOR QUE TEM POR VOCÊ (v. 16).

Aplicação: Que resposta você pode dar a esse amor de Deus por você?

2 – PORQUE DESEJA QUE VOCÊ CONFIE EM JESUS (v. 18).

Aplicação: Em que você tem colocado a esperança de sua vida? Não gostaria de confiar em Jesus a partir de agora?

3 - PARA DAR A VOCÊ UMA NOVA VIDA (v. 19-21).
Aplicação: Você acha que precisa mudar algo em sua vida? Gostaria que Jesus o(a) ajudasse?

CONCLUSÃO – Jesus é o presente que Deus lhe oferece como prova do grande amor que tem por você. Ele deseja que você confie em Jesus, colocando nele a esperança da sua vida. Deus quer dar a você uma nova vida através de Jesus.

Homilia [2]: Quando o temporal se levanta...

O sermão abaixo foi apresentado por mim na Igreja Batista em Piracanjuba, Goiás, quando visitava meu amigo e colega de turma no seminário, Pr. Luciano Sardinha.


Piracanjuba - GO, 19 de maio de 2002.

Domingo (noite)

Tema: QUANDO O TEMPORAL SE LEVANTA...

Texto: Marcos 4.35-41.


INTRODUÇÃO

O cristão já participa antecipadamente do Reino de Deus através da fé em Cristo. No entanto, ele ainda vive neste mundo, em uma sociedade dominada pelo pecado, pelo mal e pela morte, onde as coisas podem, de repente, perder o controle e tudo ao redor ficar tumultuado. Talvez não haja imagem melhor para ilustrar isso do que o temporal. Esse fenômeno natural demonstra tremenda força e, por vezes, arrasta tudo pela frente desconcertando qualquer um.

E quando, na experiência do dia-a-dia, o temporal se levanta? O que pensar diante dos vultosos imprevistos com os quais a vida nos surpreende? Gostaria de pensar com os irmãos, nesta noite, sobre o tema: QUANDO O TEMPORAL SE LEVANTA...


Quando o temporal se levanta...

1º) Ele também atinge os que estão com Cristo (v. 36-37). Os discípulos de Jesus, que haviam deixado tudo para segui-lo, estavam com ele no barco quando o temporal começou. A tormenta apanhou tanto os outros barcos que também navegavam pelo mar da Galiléia como aquele em que eles e Jesus se encontravam. O fato de alguém ser crente em Jesus não o livra de passar por situações desagradáveis e momentos de angústia na vida.


Quando o temporal se levanta...

2º) É preciso contemplar a presença de Cristo pela fé para não fraquejar (v. 38). Debaixo da maior tempestade, com os discípulos desesperados, Jesus estava dormindo. Sim, ele estava dormindo, mas estava com eles ali. Aqueles homens temiam a força do vento e estavam admirados de Jesus não despertar, porém o Filho de Deus estava com eles ali. Eles deviam apegar-se à certeza da presença de Jesus com eles no barco e enfrentar seu medo, ao invés de se encolher diante da violência das ondas. Mesmo que a vida nos reserve circunstâncias tão duras, devemos concentrar a nossa atenção na presença de Jesus conosco. Isso se chama fé em Deus.


Quando o temporal se levanta...
3º) Faz-se necessário perseverar na esperança do socorro de Jesus, mesmo que de imediato a situação pareça não mudar (v. 38). Jesus estava no barco, porém os discípulos não viam as coisas melhorarem. Seus olhos estavam fixos na tempestade. Sua fé era pequena porque se orientava por aquilo que o instante lhes fazia sentir. Não conseguiam enxergar, para além disso, a proteção do Jesus com o qual há algum tempo andavam e que tantas coisas espantosas já tinha feito em presença deles. Se as circunstâncias ao nosso redor não mudam de imediato, isso não significa que Jesus está ausente, não tem poder ou nos esqueceu. A fé em Deus é provada na perseverança. Se os problemas persistem, a nossa fé também deve persistir. Deus certamente virá em nosso socorro.

Quando o temporal se levanta...

4
º) Deus poderá agir, ainda que nossa fé seja menor que o temporal (v. 38-39; Mt 8.26). Mesmo com a pequena fé dos discípulos, Jesus realizou o milagre e o mar se acalmou. É verdade que Deus exige que tenhamos fé nele. Entretanto, seu poder não está limitado ao tamanho de nossa fé, tampouco a sua misericórdia. Deus nos ama, e tudo o que Ele faz por nós é por pura bondade e não porque merecemos alguma coisa. O Senhor dá provas do seu amor, mostra que podemos confiar nele em toda ocasião, qualquer que seja a imensidão do nosso problema. A única resposta, pois, que podemos dar a Ele é entregar as nossas vidas em suas mãos.

Quando o temporal se levanta...
5º) E, logo após, a bonança chega, devemos avaliar a nossa fé diante da exigência de Jesus a respeito da confiança absoluta em Deus (v. 40). Jesus perguntou aos seus discípulos por sua fé. A experiência do temporal deve, portanto, levar-nos a refletir sobre a nossa própria fé. A mensagem de Jesus aos seus discípulos era: “Tenham fé em Deus” (Marcos 11.22). A fé declara que Deus é verdadeiro (Jo 3.31-36). Quando cremos em Deus, acreditamos que tudo o que Ele nos diz é verdade e temos a garantia de que Ele fará conosco tudo o que prometeu (Hebreus 11.6). Ainda que tenhamos fraquejado diante da tempestade, devemos lembrar do que Deus fez, como nos ajudou, agradecer e procurar recorrer a Ele “quando os tempos mudarem” daqui por diante. Na Bíblia sempre encontraremos mensagens para fortalecer a nossa fé. A oração será o meio de contarmos a Deus tudo o que está acontecendo e pedir ajuda. Os irmãos da igreja também poderão nos consolar e amparar. Deus está sempre perto, e será achado por aqueles que o buscarem (Mateus 7.7-11).


CONCLUSÃO


Quando o temporal se levanta ele também atinge aqueles que estão com Cristo. Nesse momento é preciso contemplar a presença de Cristo pela fé para não fraquejar. E faz-se necessário perseverar na esperança do socorro de Jesus, mesmo que de imediato a situação pareça não mudar. Ainda que nossa fé seja menor que o temporal, Deus poderá agir em nosso favor. Então, com a chegada da bonança, devemos avaliar nossa própria fé diante da exigência de Jesus a respeito da confiança absoluta em Deus. Amém!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Homilia [1]: Igreja, por que e para quê?

O texto abaixo é um pequeno sermão que apresentei no retiro ITA-Mendes 2004 (30/10 a 02/11).

TEMA: IGREJA, POR QUE E PARA QUÊ?
TEXTO: EVANGELHO SEGUNDO MATEUS, CAPÍTULO 16, DO VERSÍCULO 13 AO 23.

A pergunta que tematiza o nosso encontro é, na verdade, duas perguntas. A pergunta "Igreja, por quê?" tem a ver com possibilidade - O que é que torna a Igreja possível? A pergunta "Igreja, para quê?" diz respeito à finalidade - O que é que orienta a existência da Igreja? Com o exame da passagem de Mateus 16.13-23, procurarei sugerir algumas respostas a essas perguntas.

I. IGREJA, POR QUÊ?

Por causa dos dois movimentos que caracterizam a história da salvação:

1. A REVELAÇÃO - O movimento divino (v. 16-17). Nas palavras de Jesus, de acordo com o evangelista, o seu Pai celeste foi quem revelou a Pedro o que este acabara de dizer: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus! O Filho de Deus no mundo, Deus no mundo, Deus com os homens.

2. A CONFISSÃO - O movimento humano (v. 16). Deus revelou que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e Pedro assim o confessou. A Igreja é uma comunidade confessante, conquanto responde à revelação que Deus faz de seu Filho. E, na medida em que responde, compromete-se com o para quê de sua existência.

II. IGREJA, PARA QUÊ?

1. PROCLAMAÇÃO (v. 19). A Igreja deve dizer às pessoas que elas são convidadas a participar do reino dos céus por meio de Cristo.

2. COMPREENSÃO (v. 20-21). A Igreja precisa continuamente compreender o Cristo que proclama. Jesus não autorizou os discípulos a proclamarem-no como o Cristo sem antes explicar-lhes o que isso significava.

3. TRANSFORMAÇÃO (v. 18, 21-23). A Igreja deve identificar-se com a mensagem de Cristo, procurar nela o sentido para a vida. Os homens e as mulheres que compõem a Igreja falham, equivocam-se. O propósito de Cristo é reorientar o foco de suas preocupações, levá-los a pensar em e a esperar por "as coisas que são de Deus". Deus nos quer para nos transformar.

CONCLUSÃO

A Igreja encontra o seu porquê nos dois movimentos que caracterizam a história da salvação: a revelação de Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo (o movimento divino) e a confissão de fé nessa revelação (o movimento humano).

A partir de sua confissão, a Igreja defronta-se com o seu para quê: proclamação (da salvação em Cristo), compreensão (do significado de Cristo) e transformação (pelo propósito de Cristo).

Que Deus a todos e a todas abençoe! Amém!